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sábado, 2 de abril de 2011 3 comentários



JUNTAS E LIGADURAS
SUSTENTABILIDADE , MOBILIDADE E CRESCIMENTO

Meu anseio pela edificação da Igreja como Corpo Vivo de Cristo tem me levado a pensar e rever muitos dos meus conceitos, valores, estratégias e motivações. Algo que tem me chamado atenção é justamente a busca por resultados sem respeitar a ordem dos processos, como se o fim que é ver uma igreja supostamente forte, justificasse todos os nossos meios. Olhando para o aspecto cientifico do corpo um detalhe me chamou muito a atenção: As juntas e os Ligamentos.

Quais seriam algumas definições técnicas para esses Ligamentos? Trata-se de um tecido fibroso entrelaçado um ao outro, o que lhe constitui grande resistência mecânica, podendo ligar dois ou mais ossos. Eles estendem-se de um osso ao outro, fixando fortemente as articulações, permitindo, entretanto, pequena flexibilidade. São maleáveis e flexíveis para permitir perfeita liberdade de movimento, porém são muito fortes, resistentes e inelásticos (para não ceder facilmente à ação de forças). Além de dar sustentação ao corpo, o esqueleto protege os órgãos internos e fornece pontos de apoio para a fixação dos músculos.

Em caso de lesões e rupturas de ligamento pode ocorrer comprometimento de mais de uma estrutura. Essas lesões acontecem muito comumente em atividades esportivas, quando o pé está fortemente apoiado no chão e a perna sofre uma rotação brusca, nesse caso toda a movimentação é comprometida por causa da forte dor e espasmos musculares.

A partir dessa breve contextualização técnica, encontramos em Efésios 4.14 uma palavra que diz: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor”.

Algo poderoso nesse texto é que o corpo efetua seu próprio aumento, fala do seu crescimento e desenvolvimento. Todos nós queremos ver esse crescimento do corpo e temos trabalhado para isso, desenvolvendo e procurando em uma série de métodos e estratégias, a melhor maneira de alcançá-lo. Porém, devemos entender que há uma ordem processual natural para esse aumento.

Para que haja esse aumento é necessário que haja a justa cooperação de cada parte desse corpo. Mas como chegamos a essa realidade em que cada parte do corpo encontra sua posição correta de cooperação? Para que cada membro do corpo faça a sua parte, é necessário que todo o corpo esteja bem ajustado e ligado pelo auxílio de toda junta. Essa expressão “bem ajustado” vem de estreitamente unido e o termo “ligado” fala de colocar juntos diversos componentes no sentido de algo consolidado, ligados em afeição e mente (coração no sentido de um mesmo sentimento e alma no sentido de uma mesma conclusão de causa | Atos 2.44).

A narrativa de Atos fala um pouco como essas ligações se davam na igreja do primeiro século: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum” (Atos 2.44). “E da multidão dos que creram, um só era o sentimento e a maneira de pensar. Ninguém considerava exclusivamente seu os bens que possuía, mas todos compartilhavam tudo entre si” (Atos 4.32).

Compreendemos que as juntas são articulações que formam conexões entre os ossos. Os ligamentos passam por dentro das juntas e dão firmeza e resistência a estas ligações. Juntas e ligamentos, portanto, servem para harmonizar o corpo humano. Cada membro do corpo humano deve estar no seu devido lugar de funcionamento, firmado e consolidado por um vínculo específico forte e resistente com outros membros. Portanto, se as juntas e ligamentos são "conexões", elas representam relações fortes, resistentes e específicas entre os membros, que produzem sustento para se manter, cooperação para crescimento, liberdade de movimento, firmeza.

Jesus não estabeleceu vínculos fortes somente entre ele e seus discípulos (discipulado). Ele também relacionou os discípulos entre si (Companheirismo | Quando temos boa vontade e disposição de coração sincero e caloroso com relação ao outro). Essa relação se dava pela vida de oração, os conselhos, a paciência, o perdão, o cuidado com o espírito de disputa e tantas outras formas com que o Espírito Santo trabalhava neles enquanto estavam juntos.

Não estamos pensando agora na sujeição natural de uma relação de mentoriamento, discipulado ou paternidade espiritual, mas estamos falando da dinâmica do “uns aos outros” de “vida na vida”. Assim como vivemos o ofender uns aos outros, aprender a perdoar uns aos outros (Atos 7:26 | Efésios 4:32), ao invés de odiar uns aos outros, a amar uns aos outros (Tiago 3:3 | João 15:20), ao invés de devorar uns aos outros, saudar uns aos outros com um beijo (Gálatas 5.15 | 1 Coríntios 13.12), ao invés de mentir uns aos outros, confessemos nossos pecados uns aos outros (Gálatas 3:9 |Tiago 5.16) , aos invés de julgarmos e acusarmos uns aos outros, considerar maior e preferir em honra uns aos outros (Atos 19:38 | Romanos 14:13 | Hebreus 10:4 | Romanos 12.10), ao invés de provocarmos uns ais outros, acolher uns aos outros ((Gálatas 5:26 |Romanos 15:7), dar suporte uns aos outros (Efésios 4:2), consolar uns aos outros (1 Tessalonicenses 4:18), creio que essa dinâmica da vida cristã normal fala da construção desses ligamentos.

Na relação de companheirismo na vida, dois se responsabilizam mutuamente por edificarem um ao outro. Essa relação responsável acontece a partir de um comprometimento pactual diante do Senhor. A partir desse compromisso Nele (A partir do Cabeça Cristo) acontece o desempenho de cada parte para a edificação do outro de forma especifica para que se torne “vida na vida”. Quando não existe essa relação específica de “dois a dois” e “uns aos outros”, pensa-se que todos são responsáveis por todos, mas, na verdade, ninguém se responsabiliza por ninguém.

Se o corpo não estiver assim estruturado, será como um monte de membros desorganizados e desajustados, não será um corpo. É possível termos os membros, mas não sermos um corpo, porque não há harmonia de funcionamento, nem vida. Isso é muito sério e deve chamar nossa atenção para a forma como trabalhamos para a edificação do corpo de Cristo.

Colossenses 2.19 diz: Ninguém se faça árbitro contra vós outros (Decidir contra ou defraudar), fingindo humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, ostentando a inútil arrogância do seu conhecimento carnal, e não retendo a cabeça (pessoas que estão agindo sem estarem unidos ao cabeça), a partir da qual todo o corpo, (suprido e bem vinculado) sustentado e unido por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.

Paulo escrevendo aos Colossenses enfatiza a “Supremacia de Cristo” em um contexto de muita distração com as tradições religiosas através de ordenanças e observações judaizantes (Colossenses 2.16-21), a filosofia e o misticismo como o exemplo de adoração aos anjos. O grande problema é que assim como aconteceu naquela época, diversas culturas eclesiásticas, filosofias de pensamento ou de ministério e experiências místicas que se tornam doutrinas, ocupam o lugar da “supremacia de Cristo” e com sutileza satânica afastam os santos “uns dos outros” e ao invés de promover a edificação promovem o colapso evangélico.

Em Cristo é preservada a individualidade, mas não existe mais o individualismo, toda ação individualista é uma ação separada do “Cabeça Cristo”, mesmo que seja feita em nome dele, isso é nocivo e danifica o corpo. O verdadeiro movimento apostólico traz a revelação do mistério oculto que é Cristo, e faz com que o corpo seja protegido e edificado a partir desse fundamento. O verdadeiro movimento apostólico se alegra com o crescimento do corpo igreja, mesmo que não traga o selo da sua “cobertura espiritual”, mesmo que isso lhe custe sofrimento no seu corpo físico, ao ponto de completar o que resta das aflições de Cristo, em beneficio do seu corpo que é a Igreja (Colossenses 2.24). Não se trata das aflições cumpridas para redenção em Cristo, mas sim das aflições a serem completas em nós para que o corpo seja de fato edificado em Cristo.

Precisamos entender isso! Quem não está unido ao corpo não está unido ao “cabeça Cristo”. Não há vida fora do corpo porque o corpo está unido por juntas e ligamentos de forma ordenada a Cristo. Paulo fala com paixão a respeito de todo seu esforço, luta e sofrimento para que todos pudessem conhecer o mistério de Deus, Cristo revelado, e assim ninguém se distraísse enganando-se com argumentos interessantes, porém falsos. Não se trata mais apenas de uma questão que se resolverá com oração, intercessão ou estudos bíblicos, mas creio se tratar de uma questão de iniciativas redentoras, de uma verdadeira prática apostólica de consolidação e ordem concernente ao Reino de Deus e toda a sua justiça. Nas regiões celestiais existe um corpo assentado com o “cabeça Cristo” assentado acima de todos os poderes de influencia que atuam nesta era, agora precisamos de “ações práticas” para que essa realidade se estenda à nossa localidade. Essa ação transcende a capacidade de reação do povo que muitas vezes não tem plena consciência desse corpo de Cristo em sua cidade, por isso, essa mudança exige com urgência uma nova postura de nós, os líderes.

Efésios 4.12 assim como nos versos anteriores fala de um Corpo que é Edificado, todo nós estamos trabalhando para isso, porém, se não entendermos mais uma vez a “Ordem processual” pela qual se dá essa edificação, vamos continuar acreditando que quem edifica o corpo de Cristo, que é a Igreja, somos nós, pastores e líderes, e de certo modo, muitos ainda acreditam nisso. Precisamos ajustar o foco e entender a ordem estratégica de edificação, afinal esses ministérios foram dados à Igreja com um propósito específico e não aleatório, pessoal, denominacional ou genérico.

Assim como o corpo efetua o seu próprio aumento pela colaboração de cada parte (a partir de relacionamentos resistentes). Para que aconteça essa edificação do corpo de Cristo é necessário que primeiro aconteça o desempenho do serviço dos santos. A edificação não deve ser o resultado do trabalho de alguns pastores, mas sim o fruto do serviço dos santos, e não só de alguns, mas de todos os santos. Somente quando cada membro do corpo desempenhar o seu serviço, é que haverá a edificação do corpo de Cristo. Por mais que os pastores e líderes se esforcem, se não houver esse desempenho do serviço de todos os santos, não haverá uma edificação do corpo conforme o nível e o padrão de maturidade de “Cristo varão perfeito”.

Como fazer com que todos os santos desempenhem seu serviço, e sejam testemunhas vivas e atuantes, vivendo de forma dinâmica e corporativa a vida de Cristo, experimentando o crescimento concedido por Deus que a cada dia acrescenta aqueles que são salvos? Chegamos ao grande desafio do aperfeiçoamento dos santos. Efésios 4.11 mostra que os ministérios devem se dedicar a aperfeiçoar todos os santos, priorizar o correto ordenamento dos santos e cooperar com o desenvolvimento dos seus relacionamentos, porque fazendo isto, os santos vão desempenhar o seu serviço e conseqüentemente promoverá a edificação do corpo de Cristo.

Essa ordem de edificação colocará a prova nossas reais motivações ministeriais, nosso comprometimento com a convocação de Deus para revelar a Cristo e nosso amor para com seu corpo, pois exigirá uma nova ordem estrutural, uma descentralização ministerial para uma potencialização coletiva necessária para que o corpo se movimente com firmeza e autoridade. É importante lembrar aqui que não vemos a banalização do discipulado como a melhor forma de empoderamento dos santos, pois a precocidade com a qual pessoas hoje parecem ser enviadas para o discipulado tem gerado futilidades e controle por falta de conteúdo e maturidade. Esse aperfeiçoamento e desempenho não se dão por meio de métodos instantâneos, mas sim por meio de um processo de investimento e transmissão de vida.

Além dessa nova ordem estrutural será necessária uma renovação de mentalidade e cultura ministerial para que os santos não imaginem esse “serviço ou obra do ministério” como limpar banheiros, arrumar as cadeiras do lugar de reunião, preparar os elementos da ceia, dançar no grupo de coreografia, tocar no grupo de louvor, esses serviços podem ser importantes, mas ninguém pode fazer estas coisas e dizer "estou cumprindo o meu ministério". O ministério do corpo é o de multiplicar a vida de Cristo. Todos os santos são chamados para exercerem seu sacerdócio ministrando a Senhor, ao corpo e a cidade através de um testemunho relevante (Atos 1.8 e 1 Pedro 2.9).

Que todos nós possamos nos engajar nessa edificação e nesse aumento pelo movimento do corpo através de seus devidos processos, comprometidos com as necessárias mudanças, movidos pelo zelo e fervor e com os olhos sempre firmados no “Cabeça Cristo”. Colossenses 1.15 “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda a criação; porquanto nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou dominações, sejam governos ou poderes, tudo foi criado por ele e para Ele. Ele existe antes de tudo o que há, e nele todas as coisas subsistem”.

3 comments »

  • Junynho Ferreira said:  

    Amém' Que a igreja entenda essa visão!

    Q Deus continue abençoando esse ministério!

  • Junior Silva said:  

    Muito bom o texto, Anderson!
    Que possamos entender isso e colocar em prática.
    Saudades de ti, abraço!

  • DAVID said:  

    hola amados seria bueno poder traducir este articulo ,esta muy bueno y nos guataria compartirlo en español,google crome no da la opcion de traducir la pagina ,un abrzo y signa hacia la meta