AULA 02 - PROPÓSITO ETERNO
AULA PROPÓSITO ETERNO
A ORIGEM DA PATERNIDADE
Em sua soberania, o único
Deus Criador do Céu e da terra determinou ser relacional, agir por meio de
relacionamento, sendo o único que vive de si, por si e para si. É o Pai Eterno
que tem um filho Eterno, segundo sua própria imagem e semelhança. O Eterno
Filho, gerado eternamente no Eterno Deus e Pai. É comum ouvirmos que Deus revela sua Paternidade, a partir da criação do
homem ou a partir do momento que cremos e recebemos o direito de sermos feitos
novamente filhos, porém, Deus é Pai eternamente.
“Por esta razão dobro os
joelhos perante o Pai, do qual, toda família nos céus e na terra toma o
nome...” Efésios 3:14,15. Este texto usa uma única vez no
Novo testamento o termo "pátria" para família, uma derivação direta
de "pater" que significa "pai" (Mateus 5:16). O termo
designa um grupo social que deve sua existência a um mesmo antepassado,
representando a origem de todo um agrupamento humano, apontando a Deus como, o
Pai supremo[1].
O texto refere-se a Deus como o Pai, que assume a paternidade sobre tudo
o que há nos céus e na terra dando seu verdadeiro nome, o Pai Eterno perpetua
seu Nome em nós como “ícones” da sua glória (Representação da sua natureza),
como seus filhos, que representam a multiplicação da sua imagem, à semelhança
do seu Filho. (1 Crônicas 7:14 “Povo que se chama por seu nome”). O autor Derek
Prince diz: “Antes da criação, Deus já era Pai. Ele é o Pai do nosso Senhor
Jesus Cristo. O relacionamento de Pai para Filho dentro da divindade é eterno.
Antes que qualquer coisa fosse criada, Deus eternamente era Pai e Cristo
eternamente Seu Filho[2].
“Mas tu és nosso Pai,
ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor,és nosso Pai; nosso
Redentor é o teu nome desde a antiguidade”. Isaías 63:16
IMAGEM E SEMELHANÇA
Gênesis relata o
processo criativo de Deus a partir da palavra e do Espírito que se movia sobre
a face das águas. A primeira declaração é: “Produza a terra seres viventes,
conforme a sua espécie”. A expressão hebraica “Produza a terra”, vem de “Vir
para fora”, apontando uma ação criativa corporativa e impessoal. A declaração
usada ao Homem foi: “Façamos o homem”, onde Deus (Pluralidade Elohin) falando
consigo mesmo, delibera sua formação usando o termo que significa produzir
manualmente uma nova criação (Gênesis 1.27). Segundo Gênesis 2.7, o Senhor Deus
modelou o homem a partir do pó, o Homem ‘Adam, vem do solo ‘Adamah (natureza
terrena que modelou sua imagem originou seu nome).
Diferente dos seres
viventes, o homem não é chamado a “vir para fora” de maneira impessoal, mas é
modelado de maneira pessoal (Isaias 64.8 “Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai (‘ab),
nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos”). Segundo Gênesis
2.7, o homem criado recebeu “Fôlego de vida” (“Naphach” | soprar, respirar ou
entregar a vida). Constituído de natureza material e um “sopro” imaterial, é estabelecida à imagem no sentido da
sua forma física, e por meio da sopro a
semelhança no sentido de similaridade, capacidade de correspondência e compatibilidade de natureza.
Podemos ver o homem como ser pessoal “gerado ou concebido” à imagem e
semelhança de Deus, uma vez que “Gerar” significa dar a vida, origem e
existência. Se o “sopro que deu a vida” saiu de dentro de Deus e a vida que
temos voltará a Ele, logo fomos gerados Dele, provando sua Paternidade e nossa
identidade de filhos (“Se Deus pensasse apenas em si mesmo e para si Recolhesse
o seu espírito e o seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem
voltaria para o pó”. Jó 34.14-15). O sopro de Deus fez da imagem modelada “Alma
vivente”, o homem passou a ter condições de corresponder com
Deus espiritualmente, intelectualmente, emocionalmente, voluntariamente e
fisicamente.
Esse conceito de
“Nascimento ou gestação Divina” se torna claro na linguagem do Novo Testamento
(1 João 3:9 | Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado;
pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando,
porque é nascido de Deus. | 1 João 5:1 | Todo aquele que crê que Jesus é o
Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao
que dele é nascido). Esses textos falam da divina semente (sperma) e gestação
espiritual, confirmando essa realidade de gestação e filiação como base de
entendimento do propósito eterno.
O PROPÓSITO ETERNO
“Criou Deus,
pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.E Deus os
abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e
sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar,sobre as aves
dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”.Gênesis 1.27 e 28
Deus como Criador do
universo em sua sabedoria além da nossa compreensão limitada, compartilha propósitos
claros e definidos (2 Samuel 23:5). Partindo dessa verdade, desde a eternidade
há um propósito revelado em Gênesis que tem sido chamado de o “propósito eterno
de Deus”. Podemos encontrar a base do plano de Deus para o homem no princípio
da similaridade e da multiplicação, uma vez que Deus criou o homem a sua imagem
e semelhança para se relacionar com seu “Filho” e conseqüentemente multiplicar
sua natureza e ordem em toda a terra (Romanos 8.28-29). Estamos diante do plano
de ter uma extensão da eternidade na terra, uma família de muitos filhos
semelhantes ao “seu Filho”, investidos de autoridade para ordenar a Terra como
agentes de Justiça. Governar e administrar sob sua influência, direção e
propósito, fazendo céus e terra serem uma realidade única.
Em Gênesis 3.8
quando ouviram a voz da “palavra” que “andava
no jardim pela viração do dia” se esconderam. Havia um ambiente familiar
e relacional condicionado a uma escolha. Consciente dos limites estabelecidos,
Adão e Eva em estado de inocência escolheram trocar a vida pelo conhecimento,
buscaram mais do que lhes era concedido administrar, quebraram um princípio de
confiança em Deus para se tornarem “deuses de si mesmos”, donos da própria
vontade, tornaram-se independentes para decidir o que seria o bem e o mal e
assumir seu efeito colateral indesejado.
Sabemos que esse
desvio se chama “pecado” (natureza), e produz “pecados” (Práticas), trazendo
separação e conseqüentemente a morte. Porém, o propósito de Deus caiu por
terra? Todas as coisas vieram a existir e foram criadas por causa da vontade de
Deus. Isaías 14:24 afirma: “O Senhor
dos exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei,
assim se efetuará” || Isaias 55:11confirma: “...assim será a palavra que sair
da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará
naquilo para que a designei”.
“Porque os meus pensamentos não são os
vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor,porque, assim como os céus são mais
altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos
caminhos,
e os meus pensamentos, mais altos do que
os vossos pensamentos”. Isaías 55:8
A palavra para
pensamento tem a ver com idéia, plano e propósito. A palavra caminho tem a ver
com direção e o curso da vida. Deus tem um plano e toda sua execução visa o
cumprimento do eterno propósito. Os pensamentos do homem se tornaram de
impiedade, desviando-se do curso, trilhou caminhos de destruição e ruína (Isaias
59:7 “os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; nos seus caminhos há
desolação e abatimento”). Com base em Romanos 1:18, podemos fazer a leitura da
decadência humana.
A Conseqüência de o
homem ser entregue em suas próprias mãos é confusão: “tornaram-se cheios de
toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio,
contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de
Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos
pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora,
conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais
coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem”
(Romanos 1:28-30), “segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da
carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”
(Efésios 2:3). “Não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos
seus próprios pensamentos” (Efésios 4:17). Provérbios 3:5 confirma: “Confia no
Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento”.
Mesmo que os
pensamentos e caminhos do homem tenham se desviado, os pensamentos e caminhos
de Deus são mais altos do que o Céu, inatingíveis e inalcançáveis, nada de tudo
que o homem faça poderá interferir no plano e no curso de Deus. Deus nunca foi pego de surpresa. Diante da queda, manifesta a justiça em
juízo, condenando o pecado, declarando suas conseqüências, e manifesta a
justiça em graça estabelecendo a promessa de redenção. Deus em sua soberana
onisciência desde sempre soube da quebra desse relacionamento proposto com seu
filho e sua paternidade, e desde os tempos eternos, já havia providenciado o
caminho para todos os que verdadeiramente o desejassem, conhecidos desde a
eternidade para serem conforme a imagem do seu filho. “Nos salvou e nos chamou
com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria
determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.
2 Timóteo 1:9. “Adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos
nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a
fundação do mundo”. Apocalipse 13:8
AMOU PARA SALVAR, NOS SALVOU PARA O PROPÓSITO
Havia no jardim uma
família em harmonia com a vontade de Deus, mas o homem foi lançado fora dessa
realidade sob a promessa de um descendente que a venceria com um golpe fatal a
serpente cumprindo o plano de redenção. Essa interpretação é familiar, e de
fato cremos que Cristo veio para aniquilar as obras do diabo e as expor a
vergonha, despojando e anulando em sua carne toda causa e efeito (Colossenses
2.15). Porém, quem nos amou de Tal maneira ao ponto de dar seu Único Filho?
(João 3.16) Quem provou seu amor dando-nos seu Filho sendo todos nós ainda pecadores?(Romanos
5.8) Quem é autor do plano de Redenção (Efésios 1)?
É possível que
pessoas se identifiquem com a obra de Cristo sem conhecer o propósito de Deus. É possível que essa obra seja limitada a uma
relação de céu e inferno, que a cosmovisão evangélica tenha um enfoque
humanista (Antropocentrismo | Homem é o centro de tudo), limitando todo o
propósito de Deus a salvação trilhando uma caminho tortuoso de benefício
unilateral (Tudo gira em torno do homem e de suas necessidades). Esta idéia
equivocada ocorre porque sempre vemos o propósito de Deus a partir da queda do
homem. A salvação do homem se tornou o centro de toda ação de Deus. Não podemos
confundir seu desejo com seu propósito. É claro que o desejo de é que todos os
homens sejam salvos (1 Timóteo 2:3-4 || 2 Pedro 3:9 || João 3:16). Porém,
propósito de Deus não surgiu com a queda do homem, mas antes da fundação do
mundo (Efésios 1.4,11).
Esse propósito eterno está diretamente ligado àquilo que fomos
predestinados, que no grego[3]
aparece no sentido de decidir de antemão, um decreto de Deus desde a
eternidade. Antes da fundação do mundo, Deus propôs em si mesmo um destino ao
homem, algo resolvido e conhecido por Ele antes. Alguns textos que usam o termo
“Predestinação” são: Romanos 8.29 e 30 onde nos “predestinou para ser conforme
a imagem de seu filho”, Efésios 1.5 “nos predestinou para ele, para a adoção de
filhos”, Efésios 1.11 “nele (Deus Pai), no qual fomos também feitos herança,
predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o
conselho da sua vontade”.
Observando o contexto
imediato e assunto tratado nesses exemplos, vemos claramente o princípio de
“Filiação e herança”, o Propósito Eterno revelado em Cristo para todos os
homens. A questão é: Filiação não tem a ver com salvação? Um precede a outro,
uma vez que o propósito eterno precede o plano de resgate, uma realidade
representa o meio, outra o fim. Deus nos predestinou para sermos a imagem do
seu filho, não limitou seu plano salvação, todo aquele que crê, recebe essa tão
grande salvação, com objetivo de ser restabelecido legalmente na sua posição
original de “Filho” cumprindo o Propósito Eterno. Corremos o risco gastarmos
anos discutindo o meio como se fosse o fim, comprometendo nossa identidade e
finalidade. “Porque convinha, que aquele por cuja causa e por quem todas as
coisas existem, conduzindo muitos filhos a glória, aperfeiçoasse por meio do
sofrimento o autor (Príncipe) da salvação deles”. Hebreus 2.10
Deus tem um propósito! Ter uma “Família de muitos
filhos semelhantes a Jesus”, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos
irmãos. Esse termo “entre”[4] usado
em Romanos 8.29, é uma preposição que denota posição, “em” ou “com”,
confirmando a idéia de junto e não sobre, revelando Cristo o primogênito
“juntamente com” muitos irmãos, fazendo de todos co-participantes de sua glória
e das inescrutáveis riquezas da sua herança. (Efésios 1.18 | Colossenses 1:12 |
Hebreus 9.15 | 1 Pedro 1.4). Isso é muito poderoso.
O PRINCÍPIO DA ADOÇÃO
Esse termo “Adoção” é usado exclusivamente por Paulo e na perspectiva
judaica tem um significado relevante sobre nossa posição, pois além de representar
o meio de legalizar uma filiação, nesse caso, o adotado é colocado na mesma
posição de responsabilidades e direitos (herança) do filho primogênito natural,
como um novo ou segundo primogênito (Efésios 1.4-5). Portanto, em Cristo, como igreja
dos primogênitos (Hebreus 12), concidadãos dos Santos e Família de Deus
(Efésios 2.13), voltamos ao propósito eterno. Em Cristo tornamo-nos herdeiros de Deus e fomos feitos herança do Pai (Salmo
127.3 “Eis que os filhos são herança do Senhor”).
Efésios 1.13 diz que ao
recebermos o evangelho da salvação fomos selados com o Espírito Santo da
promessa o qual é a garantia (penhor) da nossa herança, uma parte daquilo que
será dado em sua plenitude. Romanos 8.14-17 diz: “se nós somos filhos, somos
logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo...”. Em
Cristo somos “Herdeiros” que recebem da parte designada pelo direito da
filiação pela adoção e “Co-herdeiros”
com Cristo, como alguém que, juntamente com Ele, obtém uma parte do todo, é
co-participante. Co-herdeiros com Cristo são Co-participantes de Cristo, estar
nele, ser um com ele, com rosto desvendado ver claramente e ser transformado de
glória em Glória, na sua própria imagem pelo Espírito (2 Coríntios 3:18). Salmo
16:5 pode nos dar voz ao nosso anseio por ser completo nele: “Senhor é a Porção
da minha herança!”.
2 Pedro 1.3 “Visto como, pelo
seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à
piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria
glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui
grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza
divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”,
DE SALVOS PARA FILHOS
Usando como base Lucas 15, vemos que um filho arrepende-se e volta a
casa do Pai consciente de não ter mais direitos legais de ser recebido como filho,
por ter perdido sua herança. Porém, manifestando graça e favor, o Pai recebe o
filho restituindo-lhe direito de filiação, e uma prova disso é ato de colocar
um anel em seu dedo, símbolo de autoridade e posição de responsabilidade. Isso
significa que a graça nos reposiciona nessa realidade de filiação, onde quem
administra os negócios do Pai é o filho (Lucas 15.22). A salvação se tornou o
meio estabelecido por Deus para corrigir o desvio causado pelo pecado,
possibilitando a volta ao cumprimento do seu propósito eterno, restituindo o
direito de filiação. Através dessa tão grande salvação, estabelecida por Deus e
cumprida em Cristo, se restabelece a família. A salvação, portanto, não pode
ser entendida como o fim, mas o meio que nos leva a alcançar o fim
pré-estabelecido.
A questão é que todo aquele que é Filho é salvo,
porém, nem todo salvo se vê e vive como Filho. Precisamos entender onde estamos
com relação ao caminho proposto por Cristo em João 14.6. Cristo é o caminho de
volta ao Pai. Independente da queda do homem, o propósito de Deus de ser pai de
muitos filhos permanece. Efésios 1:4-5 diz: Bendito nosso Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de benção espiritual,
nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da
fundação mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele, e em amor nos
predestinou para Ele, para a adoção de filhos POR MEIO DE Jesus Cristo, segundo
o beneplácito de sua vontade. Efésios 2.17-19 que por Ele ambos temos acesso ao
Pai em um Espírito. Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas
concidadãos dos santos, e sois da família de Deus.
DE SERVOS PARA FILHOS
Paulo afirma em Romanos 8.15 que existem dois tipos de influência que
podem promover dois posicionamentos: O espírito de escravidão que espalha medo
e terror e o espírito de Adoção que gera aceitação baseado no qual clamamos Aba
Pai. A falta de entendimento da filiação legaliza raízes de rejeição, abandono
e orfandade, a privação do referencial paterno caracterizando salvos servos, sobrecarregados
de obrigatoriedade religiosa, desgastados emocionalmente e abatidos
espiritualmente, por não estarem avançando dentro do propósito.
Com base nos filhos representados em Lucas 15.11, queremos entender a
necessidade de avançarmos de uma mentalidade de “Servos” para de “Filhos”.
Lucas 15.17 diz que,
caindo em si, disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e
eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já
não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus
trabalhadores”.
Por entender a lei, estava
disposto a voltar como escravo, porém, o Pai disse aos seus servos: “Trazei
depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos
pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque
este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”. Enquanto o
Filho por causa do seu legalismo aceita a condição de servo, o Pai confirmava
sua identidade de Filho. Independente do nosso passado, Deus Pai tem nos
recebido em Cristo como filhos e não apenas servos. Deus deseja não apenas
mudar a condição em que vivemos mas também restaurar a posição espiritual que
perdemos.
Seu irmão mais velho, mesmo nunca tendo saído da casa do Pai, mostra não
entender esse princípio de filiação e herança, pois quando voltava do
campo, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças, indignando-se pela
forma como seu irmão estava sendo recebido pelo Pai. Quando seu Pai tenta
conciliá-lo declara: “Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma
ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus
amigos”(Lucas 15.29). Porém, o Pai diz: “Meu filho, tu sempre estás comigo;
tudo o que é meu é teu”, confirmando um valor pactual de filiação e herança.Enquanto
um Filho aceitava a condição de servo por causa do passado reprovável, outro buscava
aceitação em sua justiça própria. Muitos ainda têm
dificuldades em estabelecer uma relação profunda de amor com Deus como Pai, e buscam
aceitação vivendo uma vida cheia de regras, sem poder e riqueza espiritual.
Lucas 15:10 diz: “Eu
vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um
pecador que se arrepende”. Cremos que não se trata apenas da alegria por pecadores
que são salvos, mas a alegria de filhos que retornam ao lar. Não deixamos de servir, mas mudamos a mentalidade com que servimos,
porque um escravo serve por obrigação, mas um filho serve por amor. Um bom
exemplo desse princípio seria o que muitos conhecem como os “Servos da Orelha
furada”, servos que por amor escolhiam servir seu senhor para sempre (Êxodo
21.6). Além disso, um servo não sabe nada sobre os negócios do seu Senhor, um
filho como herdeiro tem parte neles. A mudança de mente muda toda nossa
perspectiva, pois o propósito de Deus se cumpre em Cristo, não apenas por nos
salvar, mas para nos devolver o direito de sermos feitos filhos.

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