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AULA 02 - PROPÓSITO ETERNO

sexta-feira, 17 de junho de 2011 0 comentários





AULA PROPÓSITO ETERNO
A ORIGEM DA PATERNIDADE
Em sua soberania, o único Deus Criador do Céu e da terra determinou ser relacional, agir por meio de relacionamento, sendo o único que vive de si, por si e para si. É o Pai Eterno que tem um filho Eterno, segundo sua própria imagem e semelhança. O Eterno Filho, gerado eternamente no Eterno Deus e Pai. É comum ouvirmos que Deus revela sua Paternidade, a partir da criação do homem ou a partir do momento que cremos e recebemos o direito de sermos feitos novamente filhos, porém, Deus é Pai eternamente.

“Por esta razão dobro os joelhos perante o Pai, do qual, toda família nos céus e na terra toma o nome...” Efésios 3:14,15. Este texto usa uma única vez no Novo testamento o termo "pátria" para família, uma derivação direta de "pater" que significa "pai" (Mateus 5:16). O termo designa um grupo social que deve sua existência a um mesmo antepassado, representando a origem de todo um agrupamento humano, apontando a Deus como, o Pai supremo[1].

O texto refere-se a Deus como o Pai, que assume a paternidade sobre tudo o que há nos céus e na terra dando seu verdadeiro nome, o Pai Eterno perpetua seu Nome em nós como “ícones” da sua glória (Representação da sua natureza), como seus filhos, que representam a multiplicação da sua imagem, à semelhança do seu Filho. (1 Crônicas 7:14 “Povo que se chama por seu nome”). O autor Derek Prince diz: “Antes da criação, Deus já era Pai. Ele é o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. O relacionamento de Pai para Filho dentro da divindade é eterno. Antes que qualquer coisa fosse criada, Deus eternamente era Pai e Cristo eternamente Seu Filho[2].

“Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor,és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade”. Isaías 63:16

IMAGEM E SEMELHANÇA
Gênesis relata o processo criativo de Deus a partir da palavra e do Espírito que se movia sobre a face das águas. A primeira declaração é: “Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie”. A expressão hebraica “Produza a terra”, vem de “Vir para fora”, apontando uma ação criativa corporativa e impessoal. A declaração usada ao Homem foi: “Façamos o homem”, onde Deus (Pluralidade Elohin) falando consigo mesmo, delibera sua formação usando o termo que significa produzir manualmente uma nova criação (Gênesis 1.27). Segundo Gênesis 2.7, o Senhor Deus modelou o homem a partir do pó, o Homem ‘Adam, vem do solo ‘Adamah (natureza terrena que modelou sua imagem originou seu nome).

Diferente dos seres viventes, o homem não é chamado a “vir para fora” de maneira impessoal, mas é modelado de maneira pessoal (Isaias 64.8 “Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai (‘ab), nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos”). Segundo Gênesis 2.7, o homem criado recebeu “Fôlego de vida” (“Naphach” | soprar, respirar ou entregar a vida). Constituído de natureza material e um “sopro” imaterial, é estabelecida à imagem no sentido da sua forma física, e por meio da sopro a semelhança no sentido de similaridade, capacidade de correspondência e compatibilidade de natureza.

Podemos ver o homem como ser pessoal “gerado ou concebido” à imagem e semelhança de Deus, uma vez que “Gerar” significa dar a vida, origem e existência. Se o “sopro que deu a vida” saiu de dentro de Deus e a vida que temos voltará a Ele, logo fomos gerados Dele, provando sua Paternidade e nossa identidade de filhos (“Se Deus pensasse apenas em si mesmo e para si Recolhesse o seu espírito e o seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó”. Jó 34.14-15). O sopro de Deus fez da imagem modelada “Alma vivente”, o homem passou a ter condições de corresponder com Deus espiritualmente, intelectualmente, emocionalmente, voluntariamente e fisicamente.

Esse conceito de “Nascimento ou gestação Divina” se torna claro na linguagem do Novo Testamento (1 João 3:9 | Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. | 1 João 5:1 | Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido). Esses textos falam da divina semente (sperma) e gestação espiritual, confirmando essa realidade de gestação e filiação como base de entendimento do propósito eterno.

O PROPÓSITO ETERNO
“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar,sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”.Gênesis 1.27 e 28
           
Deus como Criador do universo em sua sabedoria além da nossa compreensão limitada, compartilha propósitos claros e definidos (2 Samuel 23:5). Partindo dessa verdade, desde a eternidade há um propósito revelado em Gênesis que tem sido chamado de o “propósito eterno de Deus”. Podemos encontrar a base do plano de Deus para o homem no princípio da similaridade e da multiplicação, uma vez que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança para se relacionar com seu “Filho” e conseqüentemente multiplicar sua natureza e ordem em toda a terra (Romanos 8.28-29). Estamos diante do plano de ter uma extensão da eternidade na terra, uma família de muitos filhos semelhantes ao “seu Filho”, investidos de autoridade para ordenar a Terra como agentes de Justiça. Governar e administrar sob sua influência, direção e propósito, fazendo céus e terra serem uma realidade única.

Em Gênesis 3.8 quando ouviram a voz da “palavra” que “andava no jardim pela viração do dia” se esconderam. Havia um ambiente familiar e relacional condicionado a uma escolha. Consciente dos limites estabelecidos, Adão e Eva em estado de inocência escolheram trocar a vida pelo conhecimento, buscaram mais do que lhes era concedido administrar, quebraram um princípio de confiança em Deus para se tornarem “deuses de si mesmos”, donos da própria vontade, tornaram-se independentes para decidir o que seria o bem e o mal e assumir seu efeito colateral indesejado.

Sabemos que esse desvio se chama “pecado” (natureza), e produz “pecados” (Práticas), trazendo separação e conseqüentemente a morte. Porém, o propósito de Deus caiu por terra? Todas as coisas vieram a existir e foram criadas por causa da vontade de Deus. Isaías 14:24 afirma: “O Senhor dos exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará” || Isaias 55:11confirma: “...assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei”.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor,porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos,
e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos”. Isaías 55:8 

A palavra para pensamento tem a ver com idéia, plano e propósito. A palavra caminho tem a ver com direção e o curso da vida. Deus tem um plano e toda sua execução visa o cumprimento do eterno propósito. Os pensamentos do homem se tornaram de impiedade, desviando-se do curso, trilhou caminhos de destruição e ruína (Isaias 59:7 “os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; nos seus caminhos há desolação e abatimento”). Com base em Romanos 1:18, podemos fazer a leitura da decadência humana.

A Conseqüência de o homem ser entregue em suas próprias mãos é confusão: “tornaram-se cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Romanos 1:28-30), “segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Efésios 2:3). “Não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos” (Efésios 4:17). Provérbios 3:5 confirma: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento”.

Mesmo que os pensamentos e caminhos do homem tenham se desviado, os pensamentos e caminhos de Deus são mais altos do que o Céu, inatingíveis e inalcançáveis, nada de tudo que o homem faça poderá interferir no plano e no curso de Deus. Deus nunca foi pego de surpresa. Diante da queda, manifesta a justiça em juízo, condenando o pecado, declarando suas conseqüências, e manifesta a justiça em graça estabelecendo a promessa de redenção. Deus em sua soberana onisciência desde sempre soube da quebra desse relacionamento proposto com seu filho e sua paternidade, e desde os tempos eternos, já havia providenciado o caminho para todos os que verdadeiramente o desejassem, conhecidos desde a eternidade para serem conforme a imagem do seu filho. “Nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”. 2 Timóteo 1:9. “Adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Apocalipse 13:8

AMOU PARA SALVAR, NOS SALVOU PARA O PROPÓSITO
Havia no jardim uma família em harmonia com a vontade de Deus, mas o homem foi lançado fora dessa realidade sob a promessa de um descendente que a venceria com um golpe fatal a serpente cumprindo o plano de redenção. Essa interpretação é familiar, e de fato cremos que Cristo veio para aniquilar as obras do diabo e as expor a vergonha, despojando e anulando em sua carne toda causa e efeito (Colossenses 2.15). Porém, quem nos amou de Tal maneira ao ponto de dar seu Único Filho? (João 3.16) Quem provou seu amor dando-nos seu Filho sendo todos nós ainda pecadores?(Romanos 5.8) Quem é autor do plano de Redenção (Efésios 1)?

É possível que pessoas se identifiquem com a obra de Cristo sem conhecer o propósito de Deus.  É possível que essa obra seja limitada a uma relação de céu e inferno, que a cosmovisão evangélica tenha um enfoque humanista (Antropocentrismo | Homem é o centro de tudo), limitando todo o propósito de Deus a salvação trilhando uma caminho tortuoso de benefício unilateral (Tudo gira em torno do homem e de suas necessidades). Esta idéia equivocada ocorre porque sempre vemos o propósito de Deus a partir da queda do homem. A salvação do homem se tornou o centro de toda ação de Deus. Não podemos confundir seu desejo com seu propósito. É claro que o desejo de é que todos os homens sejam salvos (1 Timóteo 2:3-4 || 2 Pedro 3:9 || João 3:16). Porém, propósito de Deus não surgiu com a queda do homem, mas antes da fundação do mundo (Efésios 1.4,11).

Esse propósito eterno está diretamente ligado àquilo que fomos predestinados, que no grego[3] aparece no sentido de decidir de antemão, um decreto de Deus desde a eternidade. Antes da fundação do mundo, Deus propôs em si mesmo um destino ao homem, algo resolvido e conhecido por Ele antes. Alguns textos que usam o termo “Predestinação” são: Romanos 8.29 e 30 onde nos “predestinou para ser conforme a imagem de seu filho”, Efésios 1.5 “nos predestinou para ele, para a adoção de filhos”, Efésios 1.11 “nele (Deus Pai), no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”.

Observando o contexto imediato e assunto tratado nesses exemplos, vemos claramente o princípio de “Filiação e herança”, o Propósito Eterno revelado em Cristo para todos os homens. A questão é: Filiação não tem a ver com salvação? Um precede a outro, uma vez que o propósito eterno precede o plano de resgate, uma realidade representa o meio, outra o fim. Deus nos predestinou para sermos a imagem do seu filho, não limitou seu plano salvação, todo aquele que crê, recebe essa tão grande salvação, com objetivo de ser restabelecido legalmente na sua posição original de “Filho” cumprindo o Propósito Eterno. Corremos o risco gastarmos anos discutindo o meio como se fosse o fim, comprometendo nossa identidade e finalidade. “Porque convinha, que aquele por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos a glória, aperfeiçoasse por meio do sofrimento o autor (Príncipe) da salvação deles”. Hebreus 2.10

Deus tem um propósito! Ter uma “Família de muitos filhos semelhantes a Jesus”, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Esse termo “entre”[4] usado em Romanos 8.29, é uma preposição que denota posição, “em” ou “com”, confirmando a idéia de junto e não sobre, revelando Cristo o primogênito “juntamente com” muitos irmãos, fazendo de todos co-participantes de sua glória e das inescrutáveis riquezas da sua herança. (Efésios 1.18 | Colossenses 1:12 | Hebreus 9.15 | 1 Pedro 1.4). Isso é muito poderoso.

O PRINCÍPIO DA ADOÇÃO
Esse termo “Adoção” é usado exclusivamente por Paulo e na perspectiva judaica tem um significado relevante sobre nossa posição, pois além de representar o meio de legalizar uma filiação, nesse caso, o adotado é colocado na mesma posição de responsabilidades e direitos (herança) do filho primogênito natural, como um novo ou segundo primogênito (Efésios 1.4-5). Portanto, em Cristo, como igreja dos primogênitos (Hebreus 12), concidadãos dos Santos e Família de Deus (Efésios 2.13), voltamos ao propósito eterno. Em Cristo tornamo-nos herdeiros de Deus e fomos feitos herança do Pai (Salmo 127.3 “Eis que os filhos são herança do Senhor”).

Efésios 1.13 diz que ao recebermos o evangelho da salvação fomos selados com o Espírito Santo da promessa o qual é a garantia (penhor) da nossa herança, uma parte daquilo que será dado em sua plenitude. Romanos 8.14-17 diz: “se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo...”. Em Cristo somos “Herdeiros” que recebem da parte designada pelo direito da filiação pela adoção e “Co-herdeiros” com Cristo, como alguém que, juntamente com Ele, obtém uma parte do todo, é co-participante. Co-herdeiros com Cristo são Co-participantes de Cristo, estar nele, ser um com ele, com rosto desvendado ver claramente e ser transformado de glória em Glória, na sua própria imagem pelo Espírito (2 Coríntios 3:18). Salmo 16:5 pode nos dar voz ao nosso anseio por ser completo nele: “Senhor é a Porção da minha herança!”.

2 Pedro 1.3 “Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”,

DE SALVOS PARA FILHOS
Usando como base Lucas 15, vemos que um filho arrepende-se e volta a casa do Pai consciente de não ter mais direitos legais de ser recebido como filho, por ter perdido sua herança. Porém, manifestando graça e favor, o Pai recebe o filho restituindo-lhe direito de filiação, e uma prova disso é ato de colocar um anel em seu dedo, símbolo de autoridade e posição de responsabilidade. Isso significa que a graça nos reposiciona nessa realidade de filiação, onde quem administra os negócios do Pai é o filho (Lucas 15.22). A salvação se tornou o meio estabelecido por Deus para corrigir o desvio causado pelo pecado, possibilitando a volta ao cumprimento do seu propósito eterno, restituindo o direito de filiação. Através dessa tão grande salvação, estabelecida por Deus e cumprida em Cristo, se restabelece a família. A salvação, portanto, não pode ser entendida como o fim, mas o meio que nos leva a alcançar o fim pré-estabelecido.

A questão é que todo aquele que é Filho é salvo, porém, nem todo salvo se vê e vive como Filho. Precisamos entender onde estamos com relação ao caminho proposto por Cristo em João 14.6. Cristo é o caminho de volta ao Pai. Independente da queda do homem, o propósito de Deus de ser pai de muitos filhos permanece. Efésios 1:4-5 diz: Bendito nosso Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de benção espiritual, nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele, e em amor nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos POR MEIO DE Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade. Efésios 2.17-19 que por Ele ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus.

DE SERVOS PARA FILHOS
Paulo afirma em Romanos 8.15 que existem dois tipos de influência que podem promover dois posicionamentos: O espírito de escravidão que espalha medo e terror e o espírito de Adoção que gera aceitação baseado no qual clamamos Aba Pai. A falta de entendimento da filiação legaliza raízes de rejeição, abandono e orfandade, a privação do referencial paterno caracterizando salvos servos, sobrecarregados de obrigatoriedade religiosa, desgastados emocionalmente e abatidos espiritualmente, por não estarem avançando dentro do propósito.

Com base nos filhos representados em Lucas 15.11, queremos entender a necessidade de avançarmos de uma mentalidade de “Servos” para de “Filhos”. Lucas 15.17 diz que, caindo em si, disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores”.

Por entender a lei, estava disposto a voltar como escravo, porém, o Pai disse aos seus servos: “Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”. Enquanto o Filho por causa do seu legalismo aceita a condição de servo, o Pai confirmava sua identidade de Filho. Independente do nosso passado, Deus Pai tem nos recebido em Cristo como filhos e não apenas servos. Deus deseja não apenas mudar a condição em que vivemos mas também restaurar a posição espiritual que perdemos.

Seu irmão mais velho, mesmo nunca tendo saído da casa do Pai, mostra não entender esse princípio de filiação e herança, pois quando voltava do campo, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças, indignando-se pela forma como seu irmão estava sendo recebido pelo Pai. Quando seu Pai tenta conciliá-lo declara: “Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos”(Lucas 15.29). Porém, o Pai diz: “Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu”, confirmando um valor pactual de filiação e herança.Enquanto um Filho aceitava a condição de servo por causa do passado reprovável, outro buscava aceitação em sua justiça própria. Muitos ainda têm dificuldades em estabelecer uma relação profunda de amor com Deus como Pai, e buscam aceitação vivendo uma vida cheia de regras, sem poder e riqueza espiritual.

Lucas 15:10 diz: “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”. Cremos que não se trata apenas da alegria por pecadores que são salvos, mas a alegria de filhos que retornam ao lar. Não deixamos de servir, mas mudamos a mentalidade com que servimos, porque um escravo serve por obrigação, mas um filho serve por amor. Um bom exemplo desse princípio seria o que muitos conhecem como os “Servos da Orelha furada”, servos que por amor escolhiam servir seu senhor para sempre (Êxodo 21.6). Além disso, um servo não sabe nada sobre os negócios do seu Senhor, um filho como herdeiro tem parte neles. A mudança de mente muda toda nossa perspectiva, pois o propósito de Deus se cumpre em Cristo, não apenas por nos salvar, mas para nos devolver o direito de sermos feitos filhos.


[1] Comentário da Bíblia de Jerusalém sobre Efésios 3.15 – Página 2043
[2] Livreto sobre Paternidade de Deus – Derek Prince
[3] Palavra 4309 do Dicionário Grego Strong
[4] Palavra numero 1722 do dicionário Strong

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