segunda-feira, 5 de outubro de 2009

SACRIFICO VIVO
Anderson Bomfim
E
Vim meu Senhor, Dar-te Louvor
C#m A E

Pois, Digno És de receber meu Melhor, de receber meu Melhor
Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus,
sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.
Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios,
Deus se compraz. Hebreus 13.15


C#m A9 G#m E (Repetir Sequencia)
Não te darei algo que não me Custe
Não te Darei algo sem Valor...

Não, mas eu to comprarei pelo devido preço, porque não oferecerei ao Senhor,
meu Deus, holocaustos que não me custem nada. 2 Samuel 24:24


C#m A9 G#m E (Repetir Sequencia)
Sacrifício Vivo, Santo e Agradável
Sacrifício Vivo sou...

A E/G# F#m A (Sequencia)
Eu me dou por Inteiro pra Te ter por Completo

Minha vida é o Sacrifício
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é vosso culto racional. Romanos 12.1

A E/G# F#m A
Quero ser agradável a ti como um perfume...
Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também
Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave. Efésios 5.1-2

Clique na imagem para baixar a música
SACRIFICIO VIVO

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PRIMEIRA ESCOLA INTENSIVA DE EVANGELISMO


A RESPOSABILIDADE PELA PREGAÇÃO
O Fogo que consome do Chamado que nos persegue

Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada. 1 Coríntios 9.16

Paulo escrevendo a igreja em Corinto a respeito de sua motivação ministerial, diz: “pesar sobre ele uma obrigação”, Talvez estes termos “peso” e “obrigação” possam soar obrigatoriedade, mas essas expressões estão afirmando algo bem diferente. Olhando para as expressões originais encontramos significados que ampliam nosso entendimento com uma verdade capaz de incendiar nosso coração. Primeiramente, o termo “Pesa sobre mim” está relacionado a “brasas ardentes”, exemplificando alguém que deve passar rapidamente sobre algo, dando-nos a entender esse “pesar” aparece no sentido de urgência, de um “fogo que consome e nos faz correr” e não no sentido legalista religioso que nos dá a idéia de algo pesado e escravizante, fazendo que nos sintamos sempre culpados.

Já a palavra “obrigação” vem de “anagke”, a junção de uma preposição adverbial primária “ana” que significa “estar em meio ou entre duas coisas” e “agkale” , que significa “a curva ou o ângulo interno do braço inclinado”, determinado a algo que abraça ou cerca, como os braços do mar. Portanto, o termo “pesa sobre mim esta obrigação” fala de se sentir cercado, como que pelo braço de Deus, e isso ardia em caráter emergencial em seu coração. Não via saída, via-se cercado por todos os lados por um fogo que o consumia e o chamado que o perseguia.

A podemos ampliar nosso entendimento para a conseqüência de não nos rendermos a esse “chamado”. Na continuação do texto Paulo diz: “aí de mim se não pregar” e não me render a isso que me consome. Este termo “ai de mim” vem da palavra “ouai”, uma exclamação primária de tristeza, pesar e desgosto. Isso quer dizer que se ele não se rendesse a este chamado que ardia em seu coração, passaria a carregar sobre si outro peso de desgosto. Isso quer dizer que a realização de cumprir o chamado de Deus seria trocada pela frustração de não alcançá-lo. Muitos perderam o fogo, trocaram o “peso da obrigação” no sentido correto, para viver o pesar de uma religião descomprometida e estéril, desanimados pela falta de vida e significado, incrédulos pela frustração de não ver suas expectativas correspondidas..

Ele diz “se faço isso de livre vontade”, do original grego “kekon”, serei divinamente recompensado, mas na verdade, não há saída. Se não tenho vontade, sou “constrangido”, significando, contra sua vontade. Confirmando que o que está sobre sua vida está acima de sua própria vontade, é algo que está fora de seu controle. Você se sente cercado e sem saída diante desse tão grande chamamento de Deus para sua vida? Isso é importante porque fala de uma responsabilidade que constrange, algo que queima no sentido de urgência e pressa, um ofício involuntário confiado a todos nós.

Paulo fala de confiança, “pisteuo”, algo que exige fidelidade e lealdade, fala de uma “responsabilidade de despenseiros”, de homens que respondem pela administração ou supervisão de algo que lhe foi confiado. Temos sobre nós essa responsabilidade de administrar o Reino de Deus na Terra, a responsabilidade profética de preparar um caminho ao Senhor, de trazermos os desobedientes a prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado (Lucas 1.17). Isso deve estar acima de nossa própria vontade, algo que pelo qual responderemos, pois todos nós responderemos por aquilo que nos foi confiado.

Jesus restabeleceu o Reino de Deus na terra, e a administração está nas mãos da igreja, ele despojou principados e potestades e quem manifesta a multiforme sabedoria de Deus sobre eles é a igreja, o Reino de Deus está em nós, Ele nos deu autoridade para estabelecer seu governo em toda a terra. (Mateus 28.18-20), portanto, algo muito sério nos tem sido confiado como filhos de Deus em Cristo Jesus.Teremos que responder por aquilo que nos foi confiado, aquilo que recebemos e pelas posições que tomamos. A palavra sempre exige de nós uma posição e o não se posicionar já é para Deus uma posição que trará consigo as devidas conseqüências.

Jesus, aproximando-se,falou-lhes: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Mateus 28.18-20


Fraternalmente em Cristo
Anderson Bomfim

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

DESCOBRINDO UMA GRAÇA NÃO GRATUITA - PARTE II

A REVELAÇÃO DAQUILO QUE NOS TEM DADO GENEROSAMENTE
Em 1 Coríntios 2.9 diz: “coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus".
Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus”.

Paulo fala de uma realidade desconhecida, da qual o homem é incapaz de alcançar por si mesmo, porém, possível de ser desvendada pelo Espírito, uma realidade onde penetrarmos no mais profundo de Deus. Mas como isso funciona? Gratuitamente? O próprio texto nos diz que só alcançaremos essas riquezas espirituais que estão escondidas na profundidade de Deus a partir do momento que rompermos com a influência do espírito do mundo, a partir de então, poderemos conhecer o que Ele já nos tem disponibilizado generosamente.
A palavra mais exata para o termo traduzido como "Gratuitamente" é “carisyenta” derivada de "charizomai" que pode ser entendida no sentido de “dar generosamente”, um entendimento mais profundo que confirma a idéia de estarmos diante do Deus que deseja mostrar-se liberalmente, a partir da nossa mínima correspondencia, por causa do seu amor, misericórdia, bondade e generosidade. "Por causa da sua Sua graça"...

Essa palavra aparece mais uma vez em Gálatas 3:18 onde diz: “Porque, se a herança provém de lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão”. É nesse mesmo pensamento que Paulo coloca a promessa de uma herança estabelecida em aliança com Abraão acima da lei, visto que a promessa veio 430 anos antes, porém, essa promessa foi dada “charizomai”, não gratuitamente, mas sim, generosamente a partir do momento que Abraão se dispôs a crer e cumprir os termos dessa aliança que hoje se cumpre espiritualmente em nós por meio de Cristo Jesus.

Não temos recebido a promessa de uma herança que é resultado da generosidade de Deus e que será alcançada a partir do momento que vivermos dentro dessa realidade de aliança e filiação sendo desenvolvidos pela obediência. (Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai. vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Gálatas 4.1-6)

A GRAÇA QUE NOS FAZ AGRADÁVEIS AO PAI
Um último texto que poderíamos ver a respeito dessa graça que nos tem um custo é Efésios 1.3-6 que diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”.

Esse texto parece ter (Principalmente na versão Revista e Atualizada), um problema sério de tradução, uma vez que Paulo fala a respeito de uma realidade de filiação em Cristo Jesus, que deve resultar em louvor no sentido de reconhecimento, proclamação da glória dessa Graça, que nos fez ser agradáveis, que nos tornou “filhos” e não uma graça que nos “deu gratuitamente no amado”. A palavra é “caritov” e aparece no sentido de “tornar gracioso e agradável”. Essa idéia de recebermos gratuitamente afeta diretamente o entendimento desse propósito eterno de Deus, levando-nos a vivermos uma religião apática, passiva, sem sentido e fundamentos.

Esse texto confirma o propósito eterno de Deus Pai que estabeleceu um destino de antemão, a fim de sermos estabelecidos como filhos em Cristo Jesus, e juntamente com Ele, nos tornarmos agradáveis ao Pai. Isso traz propósito e direção para essa realidade de graça que não nos foi dada gratuitamente, ou seja, sem motivo, mas para estarmos inseridos e aperfeiçoados visando o cumprimento de um Plano estabelecido antes da fundação do mundo, de ser Pai de muitos “filhos” semelhantes a Jesus.

NÃO DAREI ALGO QUE NÃO ME CUSTE NADA...
Estamos pensando sobre essa "Graça gratuita" porque além de um problema lingüístico, encontramos uma herança cultural alienante que escrava pessoas na lei do "Pão e Circo" ou outras leis como a "Lei de Gerson" (gosta de levar vantagem em tudo), modelando pessoas desprovidas de responsabilidades, que evitam se submeter as exigências necessárias para a construção de um novo modelo cultural. Portanto, existe uma realidade de graça que está em Deus, e partir dela "existirmos" para sua glória, porém, nada disso é gratuito, como vimos até aqui, tudo partiu de um pagamento, identificação, e é ativado pela fé.
E para encerrar quero te lembrar do recenseamento Davi que trouxe a conseqüência de setenta mil homens mortos. Diante disso, Davi foi até a eira de Orna para construir um altar, que traria novamente favor sobre sua vida e o povo, porém, Davi diz algo importante, “dá-me pelo seu devido valor”, ele reconhecia sua condição e a necessidade desse favor, e mesmo diante da possibilidade de usar o campo gratuitamente entendeu que não poderia receber um favor sem que lhe custasse algo. Não se trata apenas de merecimento, mas de reconhecer sua importância e significado. Isso quer dizer que você continuar a usufruir e desfrutar do evangelho da salvação, porém, sabendo que a Verdadeira Graça é muito maior e Real do que aquilo que tem sido oferecido gratuitamente. Não podemos mais negligenciar tão grande Salvação.

Acredito que uma vida cristã que não tem preço para nós não tem valor, acredito que passaremos a valorizar essa realidade de Graça quando ela começar a nos custar algo. (1 Crônicas 21:24) Creio que essa realidade deve se aplicar em todas as áreas. (1 João 3:16) Entenda: Nada é de Graça! Tudo tem seu preço! Tudo que tem valor tem seu significado e sentido dentro do propósito de Deus para nossas vidas. Quando deixarmos que essa verdade transforme nossa mente, poderemos experimentar mudar nossa maneira de ver e viver dentro do Reino.

Ouça PODCAST sobre "Uma Graça não Gratuita - PARTE V"
Clique na Imagem

terça-feira, 15 de setembro de 2009

DESCOBRINDO UMA GRAÇA NÃO GRATUITA - Parte I

INTRODUÇÃO
Durante muitos anos fui ensinado a respeito de uma graça gratuita, palavra essa, que acredito ter passado a nos influenciar negativamente na maneira de entendermos e vivermos a Graça e tão grande salvação de Deus em Cristo Jesus. Graça que passou a ser entendida como algo barato, “grátis” no seu sentido mais “vulgar” onde não requer pagamento, portanto um caminho de benefícios unilaterais, onde apenas aquele que recebe passa ser beneficiado. Tornado-se uma proposta profana que tem alimentado motivações religiosas egoístas, e fortalecido homens cheios de vaidade, carnais em todos seus desígnios, sem entendimento de implantação e administração do Reino de Deus em todas as suas ações, limitando-se a uma vida religiosa sem responsabilidade, compromisso e relevância.

A graça no original hebraico vem de “hen” e “hanan” no sentido de gracioso aparecendo pela primeira vez em Gênesis 6.8 quando “Noé achou graça diante do Senhor”.O primeiro questionamento dentro dessa reflexão seria: O termo “gratuito” é bíblico? O fato desse termo aparecer algumas vezes no Novo testamento significa que esteja correto na maneira que temos aplicado? Se estamos vivendo dias apostólicos e proféticos, devemos seguir alguns de seus conselhos e um deles é “esquadrinhe” as escrituras. Mas o que isso significa?

Simplesmente examinar algo minuciosamente, procurar detalhadamente a fim de encontrar a verdade e sermos libertos por ela. Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8.31-32). A medida que permanecemos na verdade relativa ao tempo presente (Permanecer) experimentamos a liberdade de espírito e de mente para crescer à estatura do nosso mestre, por isso, esses serão verdadeiramente seus discípulos.

1 Coríntios 15.9-11 Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. Portanto, seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes.

Uma verdadeira compreensão dessa Graça será determinante para nosso crescimento e com base no texto de 1 Coríntios 15.9-11, observamos que Paulo a entendia, pois mesmo podendo se sentir o menor de todos os homens, sabia quem era por causa da Graça de Deus em sua vida e entendia que essa Graça não poderia se tornar vã, inútil ou improdutiva. (A palavra para Graça aqui é “charis” que aparece no NT 155 vezes sendo usada por Paulo 100 vezes). Por isso, trabalhava muito mais do que todos, porém, o que operava nele era a Graça de Deus. Trata-se de um bom exemplo da Graça que traz identidade e atitude. Quando entendo a Graça sei quem sou nele, sei o que posso fazer nela, entendo que tudo que sou deve manifestar esse favor de Deus para comigo.

Precisamos entender que a graça não é apenas um presente, mas uma realidade espiritual, uma condição onde experimentamos o governo de Deus e seu poder exercendo total influência sobre nossas vidas integralmente, uma realidade onde somos guardados, fortalecidos e crescemos na fé verdadeira, no conhecimento de Deus, no amor e no exercício das virtudes e poder desse Reino. Trata-se de uma realidade específica que testemunha da vida dentro do Reino. Portanto, vale a pena refletir sobre uma graça que nos torna passivos e improdutivos, nos impedido de assumir nossa identidade e papel de responsabilidade e serviço nela.

A GRAÇA E O PREÇO DA IDENTIFICAÇÃO
Um primeiro texto para analisarmos poderia ser Romanos 3.19 à 24 que diz “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”.

Estamos falando de uma realidade em que todo o mundo é condenável diante de Deus, onde todo homem a partir do pecado deixou de ter parte, falhou em tornar-se participante de sua Glória. Nessa condição de “bocas fechadas”, de homens sem direito de reclamar sua inocência, se manifestou a justiça de Deus em Cristo Jesus, para justificar a todos que crêem.

Mas como isso funciona? Existem duas palavras importantes no texto a serem observadas, “gratuitamente” e “graça”. A palavra para “gratuitamente” é “dwrean” (dorean) e fala de um favor não merecido que nos promove a uma realidade de graça “charis” nesse texto “cariti”, palavra que fala de uma condição espiritual de alguém governado pelo poder da graça divina, exercendo total influência sobre sua vida. Precisamos entender que a idéia de “gratuitamente” não necessariamente representa algo que não nos custe nada, mas sim algo imerecido, inalcançável por mérito próprio, por isso, nesse a graça aqui está relacionada a justificação.

O que significa então justificação? O ato de justificar é resultado de alguém que se apresenta em defesa ou em favor de outro, a questão é que nesse caso, nenhum homem era inocente, nenhum deles poderia ser inocentado e liberto por argumentação em seu favor, só havia uma maneira de trazer justificação, alguém sendo punido no lugar deles, a questão é que Jesus cumpriu a punição de toda transgressão, e apenas por essa identificação com o “punido” o homem pode se tornar aceitável e livre diante de Deus.

Trata-se de uma questão de pagamento, com moeda espiritual que é sangue (Apocalipse 5.9), e essa identificação não é passiva e gratuita, ela tem um preço muito alto, um preço de morte. Não podemos mais nos confundir nisso, o fato de não merecermos e não podermos fazer nada para merecê-la, não significa que essa realidade de Graça seja “gratuita” e não exija nada de nós.

Apocalipse 5:9 E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; Outro texto que aparece o termo “dom gratuito” é Romanos 5. 12 que começa dizendo: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”. Paulo argumenta que antes da lei existir o pecado já estava no mundo e através do pecado a morte passou a dominar todos o seres humanos, entãoRomanos 5.15 diz que há uma diferença entre o pecado de Adão e o dom “charisma” de Deus que ativa em nós uma realidade de graça “charis”.

De fato, muitos morreram por causa do pecado de um só homem; mas a graça de Deus é muito maior e através desse “dom charisma” somos elevados a uma condição espiritual muito mais elevada. Esse dom “charisma” nesse texto tem sido traduzido como “dom gratuito”, mas significa na verdade o poder que ativa a graça divina, pela qual o perdão do pecados e salvação eterna é apontada em consideração aos méritos de Cristo conquistados pela fé.

Esse termo “dom gratuito” é mais do que um presente, é o poder de Deus ativando uma realidade onde somos perdoados e salvos pelos méritos de Cristo, reposicionados e habilitados para cumprir seu propósito, porém, uma realidade condicionada a uma identificação espiritual com Ele pela fé.

Romanos 5:15 - 16 Mas não é assim o dom gratuito (charisma) como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um, morreram muitos, muito mais a graça (cariv) de Deus e o dom (dorea) pela graça (cariti), que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom (dorema) como a ofensa, por um só que pecou; porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito (charisma) veio de muitas ofensas para justificação.Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça (caritov) e do dom (dwreav) da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

Um dos textos mais conhecidos a respeito desse “dom gratuito” (charisma), que não necessariamente signifique algo gratuito, é Romanos 6.23 que diz: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”. Um texto muito usado para dizer às pessoas que elas não precisam fazer nada para serem salvas, para apresentar um presente “grátis” de Deus, porém, esse texto está falando de uma negociação, de um pagamento.

Assim como o pecado requer a morte, o “dom charisma” de Deus promove uma realidade de vida eterna, ou seja, assim como para o pecado vem a morte, para esse poder de Deus “charisma” vem a vida eterna, e para alcançar esse favor imerecido, sem mérito próprio, tenho que experimentar essa realidade de pagamento identificando-me com Cristo. Precisamos entender que esse “charisma” fala de uma realidade que tem um preço de identificação com sua morte, para que possamos ser justificados Nele.

A questão então seria: A salvação pela graça é um dom gratuito? A resposta bíblica seria que essa graça é um favor imerecido que tem um preço de identificação, uma realidade de justiça que vem pela fé. Efésios 2.8 diz que estamos salvos dentro dessa graça alcançada pela fé, que não “vem de” nós, essa expressão “vem de” é uma preposição primária “ek” denotando origem ou o ponto de onde ação ou movimento procede, dando a entender que o que ativa essa realidade de graça não vem de dentro de nós, mas de dentro de Deus, é um “dom de Deus”, a palavra para “dom” aqui é dwron “doron” e pode referir-se a um presente no sentido de algo destituído da idéia de recompensa por obras ineficazes e incapazes de ativar essa realidade.

“Fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos em novidade de vida. Porque, se fomos unidos (sumphutos) com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos, porquanto quem morreu está justificado do pecado.

Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.” Romanos 6.4-6 Como podemos entender mais sobre esse preço de identificação? A verdade é que não se alcança a realidade da ressurreição e graça se não se alcança a realidade da crucificação (Romanos 6.5-14). Quando somos “Unidos a Ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição (Romanos 6.5).”

E esse princípio de identificação funciona quando somos “unidos a Ele”, expressão que aponta para “sunphutos”, uma junção da raiz “sun” de “com”, e a palavra “phuo” de ser nascido juntamente com, portanto, identificação fala de sermos um com Ele, à semelhança espiritual de sua morte, para sermos um com Ele espiritualmente em sua vida. Para que vivamos unidos com Ele, dentro dessa realidade de graça, devemos ser crucificados com Ele de maneira que nosso velho homem e o corpo de pecado seja destruído (Romanos 6.6), ou seja, deve se tornar inativo e inoperante, privado de força, poder e influência para que vivemos a realidade do homem recriado.

Então perguntamos: A graça é gratuita ou condicional? Se for condicional, pode ser gratuita? Se é condicional qual seria essa condição? Se entendemos a graça como uma realidade alcançada a partir da identificação espiritual com o pagamento de sangue estabelecido na cruz. A graça passa a ser condicional, deixando de ser meramente grátis. Assim aconteceu com o povo de Israel no Egito, uma realidade que aponta para uma libertação definitiva. Todos os primogênitos do Egito morreram, e após saírem do Egito, Deus separou para si, todos os Primogênitos do povo, por quê? Porque pagou por preço de sangue e para eles essa salvação não era gratuita, deveriam lembrar-se que a partir daquele momento eles pertenciam a Deus. (1 Coríntios 6:20 Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo).

Trata-se de uma realidade condicional e não meramente gratuita. É uma realidade alcançada pela fé, não passiva, mas operante que ativa uma nova realidade de vida a partir da morte. “Se morremos com Cristo com Ele viveremos!” (Romanos 6.8). Por sua morte e condenação somos justificados e libertos do pecado, o pagamento de morte foi efetuado, (Romanos 6.7), por isso, precisamos decidir morrer de uma vez por todas e da mesma forma vivermos sua vida “zoe”para Sempre! (Romanos 6.10).

A igreja do primeiro século vivia a “Realidade da ressurreição de Cristo” (Apocalipse 1.18 Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.) A partir das evidências incontestáveis e da identificação pela fé com sua morte, viviam como testemunhas dessa ressurreição (Romanos 6.5 7.6), que Foi e É, a suprema e majestosa verdade do evangelho, o cumprimento da lei e dos Profetas (Lucas 24.44-46) a mensagem dos verdadeiros discípulos de Cristo (Atos 17.3), o fundamento do testemunho apostólico, a certeza do Juízo Final, a esperança dos justos para o presente, o futuro e a eternidade. Essa deve ser a nossa pregação em todo tempo e lugar (1 Coríntios 15.14), representando mais que um entendimento doutrinário, mas viver em novidade de vida, como pessoal nascidas do alto, a realidade de um cristianismo vivo e vitorioso. A forma como vivemos, testifica o Cristo que conhecemos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

OPERAÇÃO BARNABÉ

INTRODUÇÃO
Através de Gente Simples Deus faz coisas extraordinárias

Apesar desse texto ser de setembro de 2008, creio ser importante e estratégico para o momento de transição e avanço que estamos vivendo. Quando falamos de “operação” estamos falando do conjunto de atos em que se combinam, os meios necessários à obtenção de determinados resultados, ou ainda, a aplicação das medidas necessárias à obtenção de objetivos. Quando falamos do homem cujo nome era José, e passou a ser chamado “Barnabé”, descobrimos que esse novo nome pode significar “filho da profecia”, “filho de exortação” ou ainda, de acordo com a versão “NTLH”, “aquele que dá coragem”,da mesma raiz de “paracletos”, palavra para “ajudador ou intercessor” que faz referência ao caráter consolador, apaziguador, de encorajamento e exortação.

Além dessas características gerais sabemos que Barnabé era de família judia, da classe sacerdotal pertencente à Tribo de Levi, significando que também deveria servir na administração do templo. Era natural da Ilha de Chipre (Uma importante ilha mediterrânea) e também primo do Apóstolo João Marcos (Autor do Evangelho de Marcos - Colocenses 4.10). Durante a narrativa de Atos, observamos como o significado de seu nome caracteriza sua personalidade e como seu funcionamento foi fundamental para o desenvolvimento do ministério de Paulo e ao processo de cumprimento da palavra diretiva deixada por Cristo: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” .

Como parte desse plano, os discípulos deveriam permanecer em Jerusalém, onde o Espírito viria sobre todos aqueles que perseveravam unânimes em oração (Atos 1.14), fazendo-os testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Mateus 28.19 e 20 Atos 1.8). Para entender essa estratégia operacional através da movimentação de Barnabé, precisamos ver que o contexto é de implantação e desenvolvimento da Igreja a partir de Jerusalém, onde através de “muita gente simples", Deus fez coisas extraordinárias, dias em que os sinais acompanhavam os que criam

A IGREJA EM JERUSALÉM
Um tempo de Crise que promove avanço

Acredita-se que a Igreja em Jerusalém pode ter chegado a mais de oito mil pessoas, seguindo a dinâmica da oração no templo, da comunhão nas casas e nos arredores da cidade (Atos 2.42 Atos 4.31). Contudo, tratava-se de uma comunidade mono-cultural e se pudéssemos traçar um paralelo desse perfil para com a realidade de hoje, seria como comunidades que nasceram de uma impactante atuação de Deus, mas por causa de suas tradições e dogmas, perderam sua efetividade e visão, negligenciando a expansão, o alcance global e o cumprimento do seu comissionamento. Lendo a narrativa de Atos a partir da atividade de Barnabé e Paulo (Paralelo com as palavras de Paulo aos Gálatas), veremos que esses paradigmas (Modelos de pensamento judaico relacionados a ordenanças e cerimoniais) causaram alguns problemas no desenvolvimento da Igreja entre os gentios. Mas o plano de avanço de Deus se frustraria? De maneira nenhuma, pois todas as suas palavras para com a Igreja se cumprirão. Por isso e para isso, passam por um processo de mudança radical, um tempo de perseguição que promoveu a dispersão da igreja em Jerusalém.

Isso é relatado em Atos 8.4-5 diz “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava". E Atos 8.14-15 diz: “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João; os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo”.

A perseguição veio para agitar a Igreja em Jerusalém, para obrigá-los a se mover e serem surpreendidos por ver Deus atuando em Samaria e Antioquia, porém, continuavam pregando apenas aos judeus (Atos 11.19). A Igreja "Sede" era tão estruturada que não correspondia ao tempo decisivo de avanço, não conseguia ampliar sua visão local e mono-cultural para uma realidade espiritual e global da atuação de Deus. O que veremos adiante é que Deus estabelece uma estratégia que transacionaria o campo de ação da Igreja de Jerusalém e Judéia para Samaria, Antioquia e então aos Confins.

Atos 11.19-24 diz: “Então, os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, SENÃO SOMENTE AOS JUDEUS. ALGUNS DELES, PORÉM, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, FALAVAM TAMBÉM AOS GREGOS, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, E MUITOS, crendo, se converteram ao Senhor. A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia. Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor”.

Deus sabe como nos acordar, sabe o que fazer para nos mover do comodismo religioso, nos levantar, ampliar nossa visão, mostrar que nosso campo de atuação e influência pode ir além de nossa “Jope”, lugar onde Pedro se encontrava orando quando Deus começou a abrir a “porta da fé” aos gentios. “Jope” significa algo “Brilhante, formoso e belo” e assim como Pedro, temos uma tendência a permanecermos no lugar onde somos formosos e temos ministério brilhantes. Somente quando passamos a ver o Reino dentro de uma perspectiva integral e entendemos que a obra de Deus é que todos creiam naquele que foi enviado (João 17), vencemos esse dilema e assumimos nossa missão, como os filhos do Reino, sementes vivas plantadas no mundo a fim de que morram e frutificarem para Deus (Mateus 5 e 13). De alguma maneira precisamos avançar de “Jope” e viver algo sem formosura, aparência, mas efetivamente relevante a nossas cidades.

A igreja em Jerusalém é desafiada a se mover e ver que o chamado de Deus abrangia muito mais do que eles mesmos, foi uma situação de "crise", uma "perda subta de controle", alteração inesperada do curso pré-estabelecido, momento decisivo em que suas certezas são colocadas a prova, um ponto de transição para uma nova realidade e perspectiva de Igreja e Reino. Essa crise trouxe movimento levando o testemunho do Reino a outras regiões. Esse fator "Crise" se tornará nesses dias algo mais comum do que imaginamos, e exigirá de nós a capacidade de discernir as provas, para que não venhamos nos colocar contra o próprio desígnio de Deus. Em Gênesis 11, por exemplo, Deus intervém enviando confusão em um projeto ousado que mobilizava todos contra o desígnio de dispersão e ocupação da terra. Em dias de mudanças globais e colapso ministerial devemos no mínimo refletir sobre isso.
"Tocar-se-á a trombeta na cidade, sem que o povo se estremeça? Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito?Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas". Amós 3.6

UM HOMEM ESTRATÉGICO
Visão multicultural para ministrar quebrando paradigmas

Apesar de parecer que esses acontecimentos se deram de forma imediata (como aparecem nos versículos), alguns anos mais tarde, provavelmente em 42 d.C. a partir do testemunho do recebimento de Cornélio, enquanto a maioria dos dispersos de Jerusalém continuavam pregando apenas a comunidade judaica em Antioquia, alguns cristãos de Chipre e Cirene foram até Antioquia e pregaram também aos gentios, iniciativa que recebeu a aprovação de Deus: “A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor”, uma realidade diferente da experimentada até então em Jerusalém, Judéia e Samaria.

Agora vejamos rapidamente algumas características dessa cidade Antioquia. Era conhecida como a terceira cidade do Império Romano atrás apenas de Roma e Alexandria, com uma população de aproximadamente 500 mil pessoas, uns 500 km ao norte de Jerusalém. Representava “a porta” de acesso do Mediterrâneo às grandes estradas orientais, sendo a “central de operações” de Cesar, Augusto e Tibérios, conhecida como a bela “Rainha do Oriente” cheia da beleza que a riqueza romana, a estética grega e o luxo oriental proporcionavam. Em contrapartida tornava-se uma das mais sórdidas e depravadas cidades do mundo, onde o culto a Astarote era tão indecente que Constantino chegou a abolir pela força[1]. Imagine agora multidões desse povo crendo em Cristo. O que fazer?

Dentro dessa realidade de avanço era necessário que alguém simplesmente começasse a viver algo surpreendente entre eles, isso tem a ver com o que estamos vivendo hoje, dias de transição que são acionados por homens que agem a partir de uma direção de Deus. “A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia”. Talvez movidos por pela resistência ortodoxa a admissão dos gentios, a igreja de Jerusalém envia Barnabé numa missão de conciliação, a fim de analisar e estabelecer uma ação estratégica para a igreja em Antioquia.

Imaginamos uma expectativa da Igreja de Jerusalém em ver bons resultados conciliadores, uma vez que barnabé, poderia agir como uma “fiel balança” entre os elementos judaicos e helenísticos dentro da igreja. Cumprindo com essa função o “bom” Barnabé acabou se tornando uma das personalidades mais importantes do Novo Testamento, justamente pela maneira como administrou essa transição da igreja para uma nova realidade apostólica. Uma prova disso é que o texto de Atos 11 diz “Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor”. Existem aqui alguns aspectos importantes de um homem estratégico.

Vê toda movimentação a partir da graça de Deus e não das sua perspectiva pessoal, religiosa ou institucional. Alegra-se com o avanço atual e exorta com firmeza visando continuidade e desenvolvimento futuro. É reconhecido como alguém cheio das virtudes do Espírito e fé para ver e se mover pela perspectiva de Deus. Torna-se um fator catalisador, unindo muitos a partir de bases estabelecidas apostolicamente.

Imagine se ao invés de Barnabé, outra personalidade tivesse sido enviada com o propósito de analisar o que acontecia em Antioquia. Será que veriam da mesma maneira pessoas crendo em Cristo dentro de uma cultura totalmente diferente, um histórico de politeísmo, sensualidade e prostituição cultual? Provavelmente continuavam expressando sua fé em Cristo trazendo ainda algumas características culturais, talvez na sua forma de cantar, dançar, na oração, falar, vestir. Aspectos importantes na cultura judaica transmitida desde o nascimento.

Uma prova desse fato é Atos 15.1 onde os primeiros Judeus messiânicos partem com objetivo de levar a fé em Cristo a partir da sua ordem judaica:“Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos”. Por esse motivo Pedro argumenta em Jerusalém a respeito do pleno direito dos gentios em ser parte da igreja, mostrando que a circuncisão e ordenanças cerimoniais não seriam condicionais para a salvação em Cristo (Atos 10 e 11). Por isso, imaginamos que qualquer outro líder poderia interpretar a Igreja em Antioquia a partir dos paradigmas religiosos pré-estabelecidos.

Barnabé não interpretou a situação, a princípio adversa, por uma perspectiva legalista religiosa, não olhou para as pessoas a partir dos seus conceitos e tradições, mas a partir da graça. Portanto, uma “Visão multicultural para ministrar quebrando paradigmas”, não significa abrir concessões, mas sim administrar essa questão cultural sem comprometer a integridade do Evangelho do Reino. A verdade é que como igreja brasileira, já fomos muito afetados por imposições culturais e não podemos continuar seguindo esse modelo se queremos ver algo genuíno a partir de comunidades transformadas.

Antes de vivermos dias de uma nova atuação de Deus através da igreja, devemos estar cientes de que pessoas afetas por uma cultura de corrupção, idolatria e prostituição crerão em Cristo, desejosas por viver o Reino de Deus. Nesse momento, a partir de uma nova perspectiva de graça ensinamos princípios bíblicos permitindo que o Espírito Santo os santifique na verdade, sem interferência legalista religiosa. Isso se aplica a todos, uma vez que, até mesmo aqueles que se denominam sem denominação, ou ainda que sentem “não tradicionais” acabaram criando suas próprias “manias de comportamento” que se tornam “costumes e tradições”. Estamos vivendo o momento chave em que toda superficialidade é colocada a prova, para que seja encontrado em nós a “essência do evangelho do Reino” e não apenas um estereótipo dele.

UMA VISÃO DE FUTURO
A partir de uma realidade a ser transformada


Homens estratégicos são homens de visão ampliada, que vêem além daquilo que os olhos naturais podem enxergar, superam imediatismos e entendem processos de transformação. Têm consciência que avanço se dá com trabalho e não apenas práticas místicas, e sempre se alegram com a possibilidade de ver o Reino tomando novas proporções.
Barnabé era um homem que tinha a percepção espiritual amadurecida para reconhecer que apesar das controvérsias culturais, o plano de Deus em estabelecer seu Reino estava sendo cumprido em Antioquia, isso foi fundamental para o crescimento da igreja evitando sectarismos e perdas. O que para homens religiosamente míopes poderia ser um motivo de infarto fulminante, para ele se tornou motivo de alegria, porque entendia que tudo representava o pequeno e imaturo começo de um grande centro de evangelização mundial. Uma alegria responsável e não “chapante” no sentido de perder a sobriedade e foco. Uma “visão de médio a longo prazo” de transformação para uma realidade improvável.

A alegria de barnabé pelos resultados iniciais é logo seguida de “exortação”. Exortar vem do termo grego “parakaleo”, que significa “chamar para o meu lado” a fim de que pela instrução haja encorajamento, fortalecimento e consolação, dessa forma todos os novos cristãos em Antioquia eram confirmados na fé (1 Tessalonicenses 3.2). João Batista (Lucas 3.18) e Pedro cheio (Atos 2.40) pregavam o evangelho do Reino, convocando pessoas a aderir ao Reino através da instrução que edifica (fortalece),exorta e consola, valores da profecia. Paulo em Romanos 12.8 diz: “aquele que exorta faça com dedicação”, que pode significar “faça de perto”, isso quer dizer que não se exorta de longe, Barnabé, o “filho da exortação e consolação” (Atos 2.40) teve que estar entre eles para exortá-los.

A “alegria” promove “exortação”, mostrando sobriedade e responsabilidade para com o desenvolvimento e cumprimento efetivo de propósitos futuros. O que isso tem a ver conosco? A alegria em ver alguns resultados imediatos não pode nos levar a estabelecer “falsas linhas de chegada”. Temos apenas duas escolhas: Assumir ou negligenciar nossas responsabilidades, e ambas terão implicações futuras. Barnabé exortava visando “firmeza de coração”, que significa “propósito”, para que todos entendessem e se alinhassem com um propósito de Deus, pois uma vez tendo clareza de entendimento, poderiam permanecer firmes na graça de Deus, sem se desviarem no meio do caminho, livres do cativeiro do passado, desenvolvendo-se visando finalizar desafios do tempo presente visando objetivos futuros.

VISÃO MINISTERIAL
A partir de um testemunho pessoal


Como Barnabé conseguiu a maturidade para administrar a situação que de um “problema” para a igreja de Jerusalém, transformou-se em uma “resposta” para o mundo? Cremos que com o posicionamento que fez dele um homem de caráter, a propósito, o único homem a quem Lucas descreve como “bom, cheio de virtudes e fé”. Antes de desenvolver algo, foi desenvolvido, antes de ir, entendeu a importância de ser, tornou-se uma personalidade impar não só pelo que fez, mas pelo representou na vida de Paulo e em muito novos lideres que partiram de Antioquia.

O termo “Operação Barnabé”, significa o conjunto de atos em que se combinam os meios necessários à obtenção de determinados resultados, e dentre esse conjunto de “ações combinadas”, entendemos a necessidade de homens “bons”, de boa constituição, úteis pela sua sanidade, saudáveis em sua espiritualidade, agradáveis por sua amabilidade, excelentes não pelo que aparentam, mas pelo que integralmente são, distintos, honestos e honrados. Será que teríamos alguma dúvida em confiar uma tarefa tão séria a alguém que conseguiu ser desenvolvido e amadurecido em todas essas virtudes? Barnabé é homem completo no Espírito, perfeito em suas motivações, apontando não apenas para alguém dotado de dons espirituais, mas alguém pleno, que não usa do ministério para se auto-afirmar ou suprir algo que lhe falta como pessoa, alguém intimamente curado, com evidencias das virtudes do Espírito em sua vida.

Barnabé estabelece um padrão que traz juízo pela manifestação da justiça. Vende uma propriedade e depositar seu dinheiro aos pés dos apóstolos (Atos 4.37), logo após isso, “Ananias e Safira” defraudam a Deus e morrem diante de todos. Por que aconteceu isso? Entendemos que a Integridade de Barnabé estabeleceu um padrão que condenou Ananias e Safira, chamamos isso de “padrão de santidade de condena”. Assim como Noé que construiu uma arca pela qual condenou o mundo (Hebreus 11.7).Quem condenou o mundo? Deus ou Noé? Quando alunos procuram seu professor pedindo uma nova prova e este afirma não poder fazê-lo pelo fato de um aluno ter sido aprovado,quem trouxe condenação a turma? O professor ou o aluno?

Hoje não vemos mais pessoas sendo expostas em suas motivações como Ananias e Safira, por que não temos mais homens totalmente puros em suas motivações como Barnabé, um homem que, além disso, não mostrou nenhuma dificuldade em treinar um discípulo e ser superado por ele, um homem que talvez não se encontre em qualquer reunião chamada apostólica. Falamos isso, porque, se desejamos viver algo genuíno, devemos nos tornar pessoas legítimas e verdadeiras no sentido de algo que não adulterado ou misturado. Primeiro devemos nos tornar a mudança que esperamos ver, vivendo o processo contínuo de transformação pessoal, tornando-se um padrão para nossos filhos, e a partir dessa realidade de legitimidade esperar uma expansão natural de relevância pública, um novo nível de atuação em novas proporções.

Deuteronômio 6.5 que diz: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te...”.

VISÃO CATALISADORA
A partir de um processo de consolidação


A expressão “Fator catalisador” vem do termo “catálise” que significa o fenômeno que modifica a velocidade de uma reação pela simples presença de um agente físico, químico ou biológico. O fator catalisador tem o poder de unir aquilo que naturalmente não se une (Água e óleo). Barnabé é significativo no desenvolvimento da Igreja no primeiro século porque tinha essa capacidade e habilidade de harmonizar pontos de vista (Mais especificamente dos judeus e gentios) sem adulterar, desenvolvendo um processo de consolidação (Tornar algo concreto, firme e estável), trazendo solidez para “Antioquia” suportar tudo que poderia acontecer a partir dela, sem desmoronar.

Lembrando que entre dois versículos existe certo tempo a deve ser observado, cremos que Barnabé trabalhou por um tempo experimentando êxito no Senhor, vendo a forma como as coisas aconteciam na Igreja em Antioquia, e então, mediante o surpreendente crescimento começa dar alguns passos importantes para desenvolver equipes apostólicas sobre esse principio de unidade consolidadora. Nesse período Barnabé à procura de Saulo (Atos 11.25). Mas antes de entendermos a forma como trabalharam em Antioquia, é interessante observar a relação que barnabé já tinha estabelecido com Saulo em Jerusalém.
Atos 9.26-31 “Tendo chegado a Jerusalém, procurou juntar-se com os discípulos; todos, porém, o temiam, não acreditando que ele fosse discípulo. Mas Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos; e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus. Estava com eles em Jerusalém, entrando e saindo, pregando ousadamente em nome do Senhor. Falava e discutia com os helenistas; mas eles procuravam tirar-lhe a vida. Tendo, porém, isto chegado ao conhecimento dos irmãos, levaram-no até Cesaréia e dali o enviaram para Tarso. A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número”.
Em Atos 9 acontece a conversão de Saulo, da tribo de Benjamim, nativo de Tarso (Terceiro centro universitário do mundo, superado em importância, na época, apenas por Atenas e Alexandria), tendo a cidadania romana como direito de nascença (Atos 22.8) e por direito de família, uma herança judaica. O até então temido Saulo estava em Jerusalém pregando ousadamente a Cristo, porém, todos ainda temiam a legitimidade de sua conversão. Nesse contexto, provavelmente impactado por seu testemunho, Barnabé acreditou em Paulo e o levou até os apóstolos (Que conforme o relato de Gálatas 1.18, os únicos apóstolos que Paulo afirma ter visto foram Pedro e Tiago).

Barnabé não esperou que se tornasse aceitável confiar em Paulo, mas deu credibilidade antes que qualquer outro estivesse disposto a dar. Assumiu o risco de dar credibilidade quando Paulo ainda não tinha tido tempo de conquistar por si mesmo[2]. Barnabé procura cooperar com a inclusão de Paulo na Igreja em Jerusalém (Que procurava juntar-se aos apóstolos), mas em meio a muitas suspeitas, por causa do seu histórico, e os problemas que estava causando disputando com os gregos, decidiram expulsá-lo da cidade, levando-o até Cesárea, onde embarcou para sua cidade natal, Tarso.
A partir desse momento, Paulo sai de cena e fica alguns anos no anonimato construindo tendas em Tarso e sendo ministrado por Cristo até o tempo de ser acionado novamente, exatamente em Atos 11.25, quando Barnabé provavelmente consciente de seu chamado aos gentios, parte em sua procura. Barnabé mostra habilidade para montar uma equipe apostólica.

Diante da necessidade em Antioquia, a opção mais coerente, uma vez que contar com ajuda de Jerusalém seria trazer para o meio dos gentios o cristianismo como uma versão do judaísmo, era Paulo, vivendo alguns anos no anonimato em Tarso, talvez esperando a oportunidade de cumprir a visão que Deus lhe havia dado na estrada de Damasco. Um fator que poderíamos atentar é que enquanto as conexões divinas não eram feitas, Paulo permaneceu trabalhando construindo tendas e provavelmente recebendo do Senhor aquilo que deveria ser entregue as nações.

É importante para nossa geração, entender “os tempos” que determinam “os processos”, entender que entre o chamado e o comissionamento há um processo de desenvolvimento. Paulo primeiro teve que esperar por Ananias em Atos 9, depois teve que esperar por Barnabé em Atos 11, mas não se tatá de um esperar passivo, mas de “esperar” no sentido de buscar, aguardar ansiosamente, conectado ao tempo e modo, pois se não entendemos o tempo, podemos nos perder no propósito (Eclesiastes 3.8 – Para todo propósito existe um tempo e um modo).

Então, Paulo vai com Barnabé para Antioquia (Atos 11), provavelmente onde as pessoas não conheciam sua antiga fama, tornando sua aceitação natural, primeiramente por sua unção única e também pelo respaldo dado por Barnabé. A partir desse momento começa a se desenvolver uma equipe dinâmica, onde eles ensinaram juntos por um ano, levantando muitos discípulos.

FUNDAMENTO APOSTÓLICO
Discipulado desenvolvendo “Pequenos Cristos”

Agora preste muita atenção nesse texto de Atos 11.25-26: “E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”.

É muito importante entendermos que independente de termos transformado esse termo “cristãos” em uma nomenclatura vazia e até mesmo vulgarizada pelo mal testemunho por parte daqueles que se autodenominam dessa forma, nesse contexto tratava-se de algo muito significativo, pois eles estavam trabalhando em uma igreja até então sem uma identidade, ou seja, eram novos convertidos que não entendiam as tradições da igreja em Jerusalém e também não entendiam como viver essa nova realidade dentro de uma cultura cheia de valores inconvenientes, era uma igreja que estava em busca desses valores do Reino a fim de alcançarem a consciência de quem eram e como deveriam viver como pessoas que criam em Jesus Cristo.

Portanto o fato de em “Antioquia” um lugar de transição, esses novos discípulos serem chamados pela primeira vez “Cristãos” significa que eles haviam conseguido através do ensino das escrituras manifestar a “vida de Cristo” na vida de cada discípulo, reconhecidos agora como “pequenos cristos”. Isso significa que Barnabé e Paulo não estavam apenas trabalhando num plano de inclusão religiosa, preocupados com a aceitação desse novos convertidos perante a Igreja em Jerusalém, mas estavam totalmente ocupados em fazê-los aceitáveis diante de Deus, e reconhecidos diante dos homens como “filhos de Deus” responsáveis pela manifestação do Reino.

Portanto, repensemos nos resultados dos nossos métodos chamados de discipulado, que repensemos o discipulado como uma estratégia de inclusão de pessoas a uma visão denominacional, e busquemos esse discipulado como uma maneira de formar “pequenos cristos”, através do fazer e do ensinar, da transmissão de vida e verdade. Homens que não se auto-denominem assim, homens que não sejam rotulados assim por sua maneira de se vestir como qualquer outra tribo urbana, mas que sejam homens reconhecidos como “filhos de Deus”, pessoas que vivam uma realidade de contra-cultura humana, para se mover sobre os valores do Reino.

EXPANSÃO APOSTÓLICA
Discipulado desenvolvendo “Ministros e Ministérios”

Avaliando a dinâmica de funcionamento em Antioquia, reconhecemos ali uma precisa companhia profética e um eficiente serviço de ensino, movendo os santos para a expansão apostólica através do discipulado. E pensando nesse aspecto do discipulado é interessante em Paulo vivendo uma nova dinâmica de igreja, tornando-se num primeiro momento, colaborador fiel, reconhecendo o dom de Deus na vida de Barnabé, homem fundamental para estabelecer as bases e a ordem na Igreja em Antioquia.

Acredita-se que depois aproximadamente quatorze anos de preparação, foi que Paulo é comissionado para servir em um novo nível de funcionamento, mostrando que um tempo de preparação e aperfeiçoamento precede o comissionamento. Esta dinâmica está voltando a ser praticada em muitos lugares, com objetivo de ver ministros passando por um tempo qualitativo de preparação, sendo referenciais a uma geração, discipulando jovens que humildemente se sujeitam aos devidos processos com um nível diferenciado de autoridade. Esse discipulado não fala apenas de transmissão de conhecimento bíblico, muitos ministros são capacitados nesse sentido, mas trata-se de transmissão de sabedoria, do conhecimento aplicado, de experiência de vida adquirida ao longo de seu serviço. Cremos que assim aconteceu em Antioquia.


Atos 11.27 que diz: “Naqueles dias, desceram alguns profetas de Jerusalém para Antioquia, e, apresentando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que estava para vir grande fome por todo o mundo, a qual sobreveio nos dias de Cláudio. Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo”.

É interessante observar que a igreja do primeiro século fluía sob a influência direta dos ofícios ministeriais, trazendo aperfeiçoamento e direção para a igreja da cidade (Localidade). Seguindo o princípio de “Crise que gera avanço”, um tempo de “fome” em Jerusalém representaria o sinal de Deus para que a companhia profética de Jerusalém descesse a Antioquia, homens que estavam atentos ao tempo de avanço, agora a partir de Antioquia.

Mediante ao tempo de necessidade da Igreja em Jerusalém, a igreja em Antioquia levanta uma oferta conforme suas posses para socorrer os irmãos que moravam na Judéia, movendo pela primeira vez Barnabé e Paulo juntos para a Jerusalém. Além de vermos aqui a verdadeira igreja se movendo de maneira concreta em favor das necessidades do corpo, sem burocracia demagógica, vemos que o lugar que resistiu se unir ao que Deus estava movendo, passou a experimentar um tempo de escassez e necessidade. Creio tratar-se de um sinal para a igreja das nossas cidades. Se não entendermos o tempo de transição e avanço, que exige de nós ampliar a visão e atuação, as coisas que estão funcionando perfeitamente secarão e muitos irão até os lugares improváveis que estão vivendo esse comissionamento de Deus.

A igreja em Antioquia está sob essa influência de mestres e profetas apostólicos e a partir dessa influência começam experimentar uma realidade de aperfeiçoamento tornando-se um modelo para a expansão, rompendo fronteiras rumo aos confins da terra. Confirmando essa informação encontramos Atos 13.1 que diz: “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre”.

Identificamos um modelo dinâmico, leve e focado no mandato de Deus, onde estruturas locais não são regidas perpetuamente por indivíduos revestidos de uma espécie de autoritarismo papal e piramidal, mas vemos um modelo fundamentado sob pluralidade, onde homens idôneos formam homens idôneos, enviados para formar mais homens idôneos, correndo a carreira tocando pessoas que tocam cidades, através do discipulado integral. Vemos que além do discipulado formar ministros, aciona e desenvolve ministérios e ofícios que continuam aperfeiçoando os santos, enviando equipes apostólicas para novas cidades. Segundo o relato de Atos 13.1 vemos que “profetas e mestres” emergiram na cidade de Antioquia, talvez pela influência direta de Paulo e Barnabé.

CONCLUSÃO
Operação Barnabé levando a Igreja aos Confins...


Atos 13.1 e 2 diz: “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Conforme vemos o desenrolar das atividades em Antioquia, concluímos que Deus usou poderosamente essa Igreja para iniciar o processo de discipular as nações do mundo antigo com o evangelho do Reino. Um dos objetivos desse artigo é justamente de entendermos o caminho a ser percorrido entre o chamado acompanhado de uma promessa até o seu cumprimento. É importante entendermos o processo de desenvolvimento pelo qual Paulo passou, para que possamos caminhar conscientes dos passos que devem ser dados para que vejamos santos aperfeiçoados, desenvolvendo seu ministério, organizando companhias ministeriais e mobilizando todos os santos para o exercício do seu sacerdócio integral, promovendo o avanço do Reino de Deus e sua justiça.

[1] Manual Bíblico H.H. Halley
[2] Venha o Teu Reino Hector Torres

Fraternalmente em Cristo
Anderson Bomfim

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

VIVENDO A RESTAURAÇÃO | PARTE II

INTRODUÇÃO
Vamos procurar dar continuidade ao tema “Vivendo a Restauração”, seguindo a proposta de avançarmos ao tempo de darmos frutos de restauração. Com base nas escrituras de Ageu (VI a.C), profeta hebreu que desempenhou papel importante na vida de Jesuralém após o retorno dos cinqüenta mil judeus exilados do cativeiro da Babilônia , compartilharemos alguns valores importantes que podem identificar uma realidade de restauração da Igreja no sentido da “Origem que constitui a natureza da existência de algo, sua substância, sua significação especial e seu espírito, ao invés de apenas sua forma de funcionamento”.

“No verão de 520 c.C, Ageu, o primeiro a profetizar entres seus contemporâneos Zacarias e Malaquias, conseguiu mobilizar pessoas para retomar a trabalho de restauração do templo em ruínas. (Ora, os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em Jerusalém, em nome do Deus de Israel, cujo Espírito estava com eles. Esdras 5.1)”[1] e para eles, os problemas enfrentados pela comunidade (colheitas serem magras e seus campos assolados pela seca) estavam ligados ao fato da “casa do Senhor” ainda continuar em ruínas. Porém, o mais interessante é que o pequeno livro de Ageu vai além do objetivo imediato da reconstrução do tempo, mostrando conexão com o passado, confirmando o propósito de Deus em se relacionar com seu povo (Êxodo 25.8 Ageu 2.5), apontando para o futuro, falando a respeito de um “Novo Templo” que brilharia com uma glória maior que a do templo de Salomão. Outro aspecto desse artigo é perceber que todo o contexto vai além da expectativa de Deus por um lugar físico, mostrando a expectativa de que seus corações se voltassem a ele, mostrando a Edificação do Templo (No sentido de reconstruir e fazer continuar), não apenas no seu sentido literal e Material, mas sim dentro de uma perpectiva espiritual e profética da igreja como uma realidade relacional e de conexão dos céus com a terra.

INFLUÊNCIA PROFÉTICA
O primeiro aspecto que identifica uma realidade de restauração, arrependimento e volta à originalidade e essência é a manifestação profética, “Deus está formando o ministério profético necessário para esses dias. Analisando o ministério de cada profeta nas escrituras, podemos perceber que a sua mensagem estava contida na necessidade do povo e naquilo que o povo não estava cumprindo como nação sacerdotal. Desvios, desobediência e injustiças conduziam o povo ao cativeiro espiritual e físico. Nesse tempo, o profeta era levantado para proclamar a obediência do seu povo à aliança e redirecionar segundo o propósito estabelecido por Deus” [2].

Seguindo esse pensamento, fazendo uma aplicação prática, atribuímos o fato de estarmos experimentando uma realidade de restauração (Segundo os valores do Primeiro artigo), termos sido tocados por uma expressão profética, uma atuação específica de redirecionamento e ativação que nos trouxe de volta ao propósito de trabalhar em prol da igreja gloriosa (Efésios 5) visando à expressão da manifestação de filhos amadurecidos (Romanos 8). A partir de 2005, vivemos um período de transição e fomos ministrados pelo ministério profético como nunca antes, direcionando-nos a viver um processo de reconstrução, discernindo tempos e épocas para avançar cumprindo propósitos. Assim como Ageu inicia falando da necessidade de discernir tempos e épocas priorizando propósitos e projetos, muitos momentos importantes de restauração e reavivamentos em lugares de decisão e de divisão de épocas, a manifestação profética se fez presente.

Olhando hoje para o momento que estamos vivendo, temos visto um amadurecimento de uma atuação profética, consciente da necessidade de discernir tempos, por exemplo, Martin Scott tem falado sobre vivendo tempos de Transição diz: “Precisamos estar prontos para ajustar o que temos feito à luz do novo tempo. O que for que tenha servido no seu tempo, tem que dar lugar para a próxima manifestação relevante. Deus faz tudo belo no Seu tempo (Eclesiastes 3:11); Deus declarará as coisas terminadas bem antes que sejam removidas. Nós, contudo, não devemos focalizar em tentar nos livrarmos do que tem sido terminado. Nosso foco precisa estar no desenvolvimento do que está se levantando;As coisas antigas permanecem porque o peso de responsabilidade está em preparar o que está se levantando. Embora o antigo esteja terminado, ele, ainda atua nos propósitos de Deus (de modo estranho à nossa perspectiva) como uma proteção temporária para o que está se levantando”[3].

Fábio Souza tem representado uma voz profética atuante em tudo o que hoje temos nos envolvido, falando muitas vezes sobre remir o tempo, tempo de rompimento, leitura dos tempos, sinais dos tempos, ou seja, a importância de cada ciclo e de como devemos nos posicionar diante de cada período específico, sempre visando alinhamento com aquilo que Deus está fazendo e o avanço do Reino de Deus onde estamos atuando. Portanto, uma característica que temos testemunhado em uma realidade de restauração seria uma genuína e saudável influência profética.

Estamos enfatizando esse princípio porque vemos em Ageu uma sincronia muito precisa com o relógio de Deus, ou seja, desde a destruição final de Jerusalém (586 a.C) os setenta anos profetizados de cativeiro ainda não estavam totalmente completos (Jeremias 25.11-12), dando a entender que o momento em que Ageu se levanta como uma voz profética representava o tempo exato de Deus para aquela mobilização.

DISCERNINDO O TEMPO, PRIORIZANDO PROJETOS
Eclesiastes 3.1e 11 diz “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim”. Eclesiastes 8.5 diz “Quem guarda o mandamento não experimenta nenhum mal; e o coração do sábio conhece o tempo e o modo. Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem”. Conforme lemos nesses textos, vivemos o dilema do tempo, Deus colocou a eternidade em nosso espírito, porém vivemos o desafio de descobrir sua vontade através da obediência aos seus mandamentos, alcançando um coração sábio, no sentido de experimentado,para discernir tempo(quanto) e modo(como) cumprir seus propósitos.

Sabemos que a volta de Israel a sua terra se deu com um objetivo de reconstruir o templo, por isso, a obra iniciou logo que os deportados para a Babilônia começaram a chegar a Jerusalém. Porém, diante das dificuldades econômicas e a hostilidade da oposição daqueles que habitavam na terra, eles mantiveram todos os trabalhos interrompidos durante 15 a 16 anos (Esdras 4.1-24), porém, enquanto viviam letargia para com o mandato de Deus, cada um passou a investir tempo e recursos em seus próprios projetos aconstumando-se com a idéia do Templo estar em ruínas. Isso prova que nada pode ser capaz de nos impedir quando estamos dispostos, na verdade o que faltava era uma profunda convicção e disposição em se envolver. Diante desse realidade a questão é: Quem de fato se importa? O que estamos construindo? Pra quem será?

Conforme vemos no texto havia um constraste gritante entre a realidade pessoal do povo e a sua realidade espiritual e coletiva, enquanto estavam morando em suas casas “estucadas ou apaineladas” a casa do Senhor estava em ruínas, ou seja, enquanto todos estavam vivendo em função de ter uma casa confortavel e belamente adornadas com madeiras de cedro, que era rara em Judá, representando um sinal de luxo e alto investimento, os aliverces do templo estavam estavam expostos ao abandono, como um memorial do fracasso da ultima tentativa de restauração. Qualquer semelhança com a condição que se encontra a Igreja não é uma conincidencia. Quem nunca teve a percepção espiritual de uma noiva maltrapilha, ou seja, de uma igreja carente e necessitada de restauração? Quem nunca teve uma percepção espiritual de um corpo dividido? Quem nunca teve a percepção espiritual de uma casa em ruínas? Quem nunca paraou para pensar no que Paulo diz sobre o verdadeiro sentido da ceia e a responsabilidade que temos em discernir as necessidades do corpo? A questão é quem se importa?

Essa letargia generalizada dos dias de Ageu, pode ter originado uma série de argumentos, como o fato de estarem trabalhando cada um para seu sustento nos dias da colheita, porém, as colheitas eram magras e os tempos estavam dificieis para se envolver com outros projetos, ou seja, assim como hoje não faltavam justificativas para a melancolia religiosa e falta de envolvimento com o verdadeiro propósito de estarem ali, na verdade nunca chegará o tempo apropriado para aqueles que estão desinteressados, ao mesmo tempo que nada é forte o bastante para abater aqueles que tem convicção de estarem se movendo dentro do propósito, do tempo no modo de Deus.

Nesse contexto de crise, Ageu é levantado pontualmente, para atuar durante quatro meses entregando quatro mensagens, e em sua primeira mensagem mostrar que perspectiva de Deus era contrária a perspectiva de todos, ou seja, enquanto eles negligentemente contentavam-se em dizer “não é o tempo para o templo mas é tempo para nossas casas”, o profeta usa uma expressão que se repete cinco vezes no livro: “Considerai o vosso passado”, no sentido de “reflita, entenda e ordene seu homem interior levando em consideração tudo o que vocês já passaram por terem sido indiferentes a vontade de Deus”, ou ainda, perguntema vocês mesmos? Será que não há um motivo para tudo isso? Dessa forma, o ministério profético traz uma nova compreenção do propósito, do tempo e do modo. Alguns comentários dizem que vinte e um dias após essa mensagem a obra foi iniciada (Ageu 1.12-15).

Assim fala o senhor dos Exércitos: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada.Veio, pois, a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu,[4] dizendo: Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaineladas (Revestidas com Cedro), enquanto esta casa permanece em ruínas(Arruinada e Abandonada)? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai Entender e ordenar no homem interior) o vosso passado. Ageu 1.1

Observando esse contexto, vemos uma verdade que não temos como negar, todas as vezes que buscamos nos envolver com a restauração da igreja (“Renovar seu estado original, restituindo sua verdadeira essência, os valores da doutrina e mensagem de Cristo”), enfrentamos algum tipo de resistência e oposição, geralmente da parte daquilo que já está estruturado na realidade local. Agora a questão é que na maioria das vezes essa colisão causada pelos conflitos internos de interesses nos leva a deixarmos nosso envolvimento com a edificação dos santos e a expressão da Igreja em segundo plano. Em algumas instituições isso é tão normal que ainda se prega a existência de uma vida religiosa e uma vida secular como se as duas realidades fossem independentes, acomodando as coisas como se Cristo tivesse nos comprado com seu sangue para Deus, apenas por algumas horas do nosso final de semana.

Atenção! Deus está anunciando um novo ciclo de tempo, durante quinze anos viveram um período de transição investindo em seus projetos pessoais, e os resultados não foram nada satisfatórios: “Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado”. Naquele momento, Deus estava decretando falência e removendo todo seu favor sobre tudo o que estavam fazendo, porque o tempo de estarem investindo em suas próprias coisas havia chegado ao seu limite, escassez de mantimento (cereal), falta de alegria e satisfação (vinho) e um vazio enorme pela falta da sua presença (Óleo), seriam sinais que denunciariam a indiferença para com o projeto original de restauração(Ageu 1.9-11).

Estamos para viver dias parecidos, dias em que será retido o orvalho e não haverão frutos, ceral, vilho e oleo, dias em que Ele não será mais atraído por aquilo que fizemos em nome Dele, e não responderá por aquilo que queremos Dele, mas seremos atraídos a ele e a sua vontade como nunca antes, a fim de que sua igreja seja restaurada (Efésios 5.27) e sejam revertidas todas as consequencias da nossa esterilidade natural, então veremos o favor do Senhor sobre tudo que colocarmos nossas mãos (Os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando em virtude do que profetizaram os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido. Edificaram a casa e a terminaram segundo o mandado do Deus de Israel e segundo o decreto de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia. Esdras 6:14).

Porém, devemos entender outro valor importante! Restauração se dá com engajamento, por isso, Ageu desafia o povo a voltar a se envolver com o projeto de reconstruir o templo e edificá-lo das suas ruínas. Estamos sendo desafiados a nos envolver com aquilo que Deus está envolvido. Deus está envolvido com a Igreja e se temos um compromisso com Deus, temos um compromisso com o corpo. Portanto, à medida que discernimos o tempo que estamos vivendo e priorizamos nossos projetos, conseguiremos corrigir nossas expectativas equivocadas a respeito dos resultados do nosso trabalho, lembrando que não mais estaremos nos movendo por resultados, mas sim por obediência. Encorajamos a todos que levantem-se, se envolvam, pois a edificação da igreja não se dará com criticas e depreciações, escolas de adoração ou publicações de artigos exegéticos, mas com envolvimento, muito trabalho e cooperação. A palavra para nós hoje é “Suba ao monte, trazei madeira e edificai a casa, dela me alegrarei e serei glorificado”. Suba ao Monte, ou seja, é hora de recorrermos a Deus, encontrar seus recursos e nos dedicar a edificar algo que esteja de acordo com sua vontade e glorifique seu nome na terra.

A RESTAURAÇÃO DE UM REINO SACERDOTAL
Seguindo a ordem das mensagens proféticas vemos que em Ageu 1.1-2,o profeta entega ao Rei e ao Sumo-Sacerdote uma palavra sobre a real condição de todo o povo (“Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada”), porém a partir de Ageu 1.12 e Ageu 2.2, a mensagem profética estava sendo direcionada a Zorobabael como governador de Judá (Rei), Josué como Sumo-Sacerdote e a todo o Povo. Primeiro Deus chama a atenção dos líderes para a condição do povo e depois fala a todos. Por quê? Entender isso pode fazer toda a diferença em tempos de Restauração, pois durante muitos anos a tradição religiosa tem colocado toda sua expectativa em personalidades, instituições são edificadas a partir de líderes eclesiásticos que querendo ou não acabam sendo a esperança de transformação, configurando estruturas frágeis e vulneráveis por uma questão lógica de edificação.
A igreja tem a personalidade de Cristo e é edificada a partir da cooperação de muitos membros (Efésios 4.16), cada um no seu lugar segundo a sua função. Observando Efésios 4, somos desafiados a uma mudança radical de mentalidade, pois os chamados ofícios ministeriais (Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres) aparecem com objetivo de aperfeiçoar os santos para que “eles” (Os Santos) desempenham a obra do ministério para a “Edificação do corpo de Cristo”(Efésios 4.11-12).

Sem entrarmos muito à fundo nesse tema especificamente, queremos apenas ressaltar a importância de líderes capacitados e respaldados por Deus para exercer seu ofício, porém, queremos também ressaltar a necessidade de rever nossos encontros chamados apostólicos, onde seguidamente perguntarmos uns aos outros: “O que faremos para transformar uma cidade”. Na verdade a resposta é uma só: Aperfeiçoem, treinem, equipem, capacitem, ativem, posicionem todos os santos para que onde eles estiverem desempenhem a obra do ministério, cheguem a unidade da fé, ao pleno conhecimento de Cristo, a perfeita maturidade à medida da estatura da plenitude de Cristo, não sendo mais como meninos levados de um lado ao outro por ventos de doutrinas, dependentes de homens e campanhas idólatras, mas cresçam na verdade em amor naquele que é o cabeça, Cristo (Efésios 4.12-14).

O Reino de Deus é o reino dos santos, eles são os trabalhadores da restauração, se queremos restaurar os valores de um Reino Sacerdotal, precisamos entender que essa realidade só se tornou possível nos dias de Ageu, quando por meio da palavra, Deus despertou o espírito do Rei, do Sumo Sacerdote e do povo. Assim como Jesus ministrou a palavra que reacendeu algo dentro de dois discípulos frustrados e desertores (Lucas 24.32), a medida que o profeta Ageu comunicada a palavra de Deus, o espírito de todos era despertado a voltar-se a Deus e sua vontade.

A partir desse despertamento os ofícios ministeriais devem se colocar a serviço de uma visão de Deus para todos os santos, e não os santos a servido de uma visão deniminacional de seus líderes, esse mudança de mentalidade trará uma mudança de perspectiva ministerial. E com base nisso, acreditamos que uma nova geração de líderes está se levantando com essa mentalidade, abertos a uma proposta de redes, de coopração e visão corporativa, onde o crescimento não será mais medido pela ascenssão institucional vertical, mas pela influência orgânica horizontal, onde o que aparecerá serão milhares de santos levando o evangelho do Reino a todos os lugares e não milhares de pessoas sendo convidadas para ouvir uma mensagem de reino em um único lugar. Uma nova geração de líderes viverá em função do mandato de Deus para a Igreja e será abençoada como Zorobabel, que recebeu uma palavra específica (Ageu 2.20), revogando uma sentença geracional (Jeremias 22.24) recebendo um novo legado de benção apontando a uma Realidade Messiânica. Que da mesma forma essa nova geração se posiciene e seja abençoada!

Portanto, nosso desafio hoje tem sido procurar entender em Deus, a melhor maneira de fazer todos os santos funcionarem na obra da edificação da Igreja e na transformação dos valores socio culturais, segundo o princípio que chamamos “Sacerdócio de todos os santos”, onde segundo o modelo de funcionamento da igreja neo-testamentária todos são ministros, aperfeiçoados e servidos por ofícios ministerias que segundo o exemplo de Paulo se regozija no testemunho e funcionamento de todos (1 Tessalonicenses 2.13-14).Trata-se de valores básicos de Reino, pois só existe Reino a partir da influência real de um Rei sobre um povo, ordenado sobre uma ordem de princípios atuando sobre um território. Não existe relevancia de Reino sem um povo que seja relevante em sua fé e testemunho, governados por Deus e exercendo seu sacerdócio (Mateus 10.7 “à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai”).

UM NOVO TEMPLO, UMA NOVA GLÓRIA
A Segunda palavra provavelmente seja uma resposta a um novo momento de desanimo que envolvia todo o povo, por isso, Ageu ministra ao Rei, ao Sumo-Sacerdote e todo povo dizendo que mesmo que todo o trabalho da edificação pareça como nada diante dos seus olhos, pareça não ter a mesma glória daquilo que já havia sido edificado em outros tempos, o Senhor estava com eles naquele projeto e era necessário que a edificação fosse feita daquela forma. A palavra para todos foi: “Sejam fortes e trabalhai”, “Eu estou com vocês!”. Essa expressão se tornou a base de fé para muitos homens que se tornaram notáveis na história (Moisés/ Josué/ Gideão/ Jeremias), fundamentada sobre uma realidade de pacto estabelecida por um Deus que não muda, deve ser o suficiente para que possamos caminhar com direção e garantia de que chegaremos ao objetivo proposto. Lembremos que melhor do que a sua benção, é termos o respaldo da sua presença conosco em tudo o que estivermos envolvidos, Moisés quis mais do que a benção de Deus para continuar, ele disse que se o Senhor não fosse com ele, não se moveria. Algo muito significativo para nós hoje é ouvir de Deus “Eu estou com vocês”.

Algo que identificamos em muitos lugares que começam a se envolver com a restauração é a frustração, primeiro por tentarmos muitas vezes edificar algo novo tendo como parâmetro aquilo que já não funciona mais como modelo, nos envolvemos com algo novo, tendo em mente o velho. Essa estrutura mental gera muita crise pois nos leva sempre ao mesmo lugar. Samuel por exemplo não encontraria Davi se não tivesse sido exortado a uma mudança radical de mente e valores.

Havia uma geração de idosos (provavelmente de septuagenários) alguns que haviam vivido muitas coisas, poucos talvez tenham visto o templo antes da sua destruição, mas alguns homens provavelmente tenham participado da primeira etapa da restauração de Esdras 3.9 (Todos os levitas maiores de vinte anos foram encarregados de dirigir as obras), homens que olhavam para o resultado do primeiro mês de trabalho e não acreditavam que essa obra pudesse ser finalizada e pudesse ter a mesma relevância daquilo que já havia sido construído, comparando as condições do presente com as glórias do passado. Essa referência e reverência ao modelo antigo, esse pessimismo geracional pode ter gerado uma onda de desanimo na nova geração desafiado a continuar investindo na reconstrução do templo.

Uma questão a ser levantada aqui é: O que de fato determina a glória do templo? Sua ornamentação material ou o fato de Deus dizer esse lugar é “Minha casa”? Talvez o que estamos edificando nesses dias não tenha o mesmo esplendor das estruturas denominacionais históricas, porém, o que desejamos é poder ver onde estiverem dois ou três reunidos em nome de Jesus (Como Ele mesmo) Deus ali se fazendo presente e chamando a assembléia dos Santos de “Minha casa”, essa e a glória que toda a criação anseia ver! A manifestação da Glória do Deus que não habita em templos feitos por mãos de homens, mas se revela através da manifestação dos seus filhos.

Esse detalhe pode ser a resposta a muitos de nós hoje, pois muitas vezes nos envolvemos com a restauração da Igreja, porém, estruturamos nossa mente em modelos e formas, perdendo a nova perspectiva de Deus para o tempo presente, pense que um homem de oitenta anos não tem pode ver algo sendo edificado com a mesma perspectiva de quando tinha doze anos, um homem como Nicodemos não consegue compreender a realidade de uma nova proposta com uma mentalidade ultrapassada, religiosa e natural.

Esses paradigmas mentais geram um ciclo desanimador de frustrações. Sem nascermos do alto não temos como compreender, sem a perspectiva de Deus não conseguiremos avançar. O mesmo Deus que ensinou a tirar água ferindo a rocha, desafiou Moisés a tirar água dizendo a Rocha. Ele não teve fé para falar a rocha, ele continuou ferindo-a, a sua metodologia conservadora funcionou como da primeira vez, porém a sua prisão mental a metodologia passada o impediu de alcançar a promessa futura (Números 20.11-12).

Encorajamos a todos que busquem viver esse novo tempo, abertos a uma nova perspectiva celestial, nova dinâmica ministerial e uma nova mentalidade quanto a avaliação, pois enfatizamos que nesse momento não nos moveremos apenas por resultado, mas por obediência. Quando tivermos fé para trabalharmos dessa forma, seremos surpreendidos pelos resultados. O profeta Zacarias diz: “As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa, elas mesmas a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a vós outros. Pois quem despreza o dia dos humildes começos, esse alegrar-se-á vendo o prumo na mão de Zorobabel” (Zacarias 4.10). “E os que não deram valor a um começo tão humilde vão ficar alegres quando virem Zorobabel terminando a construção do Templo” (NTLH). Guardemos essa palavra de encorajamento, muitas congregações e ministérios locais estão passando por momento de recomeços, e que tenhamos graça para romper com toda mentalidade luciferiana de grandeza para nos alegrar nesse humilde começo que estamos vivendo.

Lembrando que assim como enfatizamos no primeiro artigo, o momento de restauração que estamos vivendo, usando como parte da nossa fundamentação Hebreus 12, encontramos essa palavra mais uma vez em Ageu, aplicada em um contexto de edificação: “Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vezc, dentro em pouco, farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca; farei abalar todas as nações, e as coisas preciosas de todas as nações virão, e encherei de glória esta casa, diz o Senhor dos Exércitos. Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos” (Ageu 2.6-9).

Uma realidade de restauração é uma realidade em que somos abalados pela palavra da verdade, um tempo de se restabelecer as bases, os princípios elemestares, os fundamentos apostólicos, o tempo em que aquilo que foi adicionado é removido e permanece apenas o que é imutável e inabalável. Dentro dessa perspectiva a Igreja deixa de ser uma instituição vunerável por causa do controle humano e passa a ser uma canal de influência do governo divino. Uma coisa é claro e queremos falar mais uma vez, Deus está visitando nossas edificações, e não importa o quanto nossas torres institucionais pareçam seguras, se aquilo que estamos edificando não estiver de acordo com o seu prumo, com usas medidas e valores, serão removidas como que por um sopro, como se elimina a sujeira de um prato (2 Reis 21.13 / Isaias 28.17 / Amós 7.7). Uma palavra importante para esse tempo tem sido não tentarmos preservar que está sendo removido, mas nos dedicarmos a edificar aquilo que Deus está levantando. Segundo o Evangelho narrado por João Jesus diz: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei.Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos, foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? Mas ele falava p do templo do seu corpo”.

Precisamos entender que da mesma forma que Deus coloca um prumo na mão do Rei, a implantação apóstólico dos nossos dias deve corresponder ás suas medidas, ou seja, se queremos viver a restauração, devemos começar a edificar segundo os valores do Reino de Deus e não nós memos achamos que deve ser feito.

UMA NOVA POSTURA DE SANTIDADE E TEMOR
A terceira mensagem de Ageu acontece dois meses depois da última e provavelmente a essa altura já havia a mensagem de Zacarias reforçando a direção porfética. Essa mensagem acontece a partir de um questionamento baseado nos próprios princípios cerimoniais da lei a respeito da pureza e da contaminação. A conclusão profética para aquela geração de restauradores era que ao contrário da santidade, a contaminação do pecado é altamente contagiosa, como um virus, tem ação rápida em um organismo. Precisamos entender que se não nos envolvemos com aquilo que Deus está envolvido, se não somos guiados pelo Espírito do Próprio Deus, nos tornamos totalmente vulneráveis a todo tipo de desvio, contaminação e suas devidas consequencias. Deus estava querendo demonstrar que as boas ações e o imediato engajamento deles não seria o suficiente para suspender todas as consequencias de estarem a tantos anos vivendo suas próprias vidas sem o favor de Deus sobre todas suas realizações, ou seja, trata-se de uma maravilhosa manifestação da sublime e paterna de Graça de Deus eles estarem de novo ali envolvidos como templo, assim como no Novo Testamento, graça é um favor imerecido manifesto em um contexto de comprometimento, e essa era a recompensa de todos que estavam entendendo o tempo de se dedicarem a edificação do templo (“desde esse dia vos abençoarei!” Ageu 2.19).

Essa revelação de um amor renovado e um favor imerecido seriam fundamentais para que fossa dada continuidade nessa obra de restauração, Antes de colocar pedra sobre pedra, deveriam refletir agora não somente sobre aqulo que já haviam passado, mas agora atentos a representação futura daquilo que estavam vivendo. Se queremos nos envolver com a restauração da Igreja temos que passar pela restauração pessoal. O proposito de Deus e o motivo de nossas intercessões é que os santos se tornem pedras de edificação e não pedras de tropeço, nesse projeto chamado igreja, homens e mulheres que estejam alinhados com o que Deus está fazendo e cooperem em falavras e ações segundo a mente de Cristo e não segundo as cogitações do seu próprio coração (Mateus 16).

O mais interessante é observarmos um processo vivo, presente e continuo, identificando o mesmo ciclo de abalos globais e edificação da Igreja se cumprindo, fazendo mais sentido do que nunca antes. Portanto, a palavra de ordem para nós é simplesmente estarmos firmes na Rocha e totalmente governados pelos valores do Reino de Deus, pois é Ele que está dizendo “Derrubarei”, “Destruirei”, “Tomarei” e “Farei” (Ageu 2.22-23), ou seja, Deus está fazendo o que deve ser feito e nós como seus filhos somos parte com ele e estamos cada dia mais envolvidos com tudo o que Ele está realizando. Entendamos esse tempo, nos envolvamos com o propósito e nos sujeitemos ao seu modo!

[1] COMAY Joan Quem é quem no Antigo Testamento Editora Imago
[2] SOUZA Fábio Apostila Escola de Capacitação Ativação Profética
[3] SCOTT Martin Abraçando o amanhã Profetas em tempo de Transição
[3] BOMFIM Anderson Artigo Vivendo a Restauração Parte Um
c 2.6 Hebreus 12.26
p p 2.21: Colossences 2.9; Hebreus 8.2; 1Corintios 3.16; 6.19; 2Corintios 6.16

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

VIVENDO A RESTAURAÇÃO
PRIMEIRA PARTE

A Missão Mobilização tem sido desafiada a ampliar sua visão e experiência de viver e ser uma expressão da igreja desde o seu início, procurando pela profundidade da simplicidade, transicionando de uma mentalidade institucional para uma realidade de filiação e herança, fundamentada em Cristo (Filhos Semelhantes a Jesus), voltada para pessoas ao invés de estruturas, trabalhando pela unidade da fé em amor, zelando pela base familiar do Reino de Deus (Atos 2.44 “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum”). Porém, para alcançarmos essa realidade tem sido necessário sujeitar-se a um processo em que devemos mostrar frutos de restauração.

É muito comum atribuirmos tudo o que somos eclesiasticamente ao resultado de uma “Reforma institucional”, definida geralmente como um “Movimento religioso dos começos do séc. XVI, que rompeu com a Igreja Católica Apostólica Romana, originando numerosas igrejas cristãs dissidentes, propondo um conjunto de mudanças efetuadas com o fim de torná-la mais fiel à forma de suas origens”[1]. O significado do termo Reformar ou renovar eqüivale a dar a forma que se tinha quando novo, por isso, originalmente o termo caracterizava aquelas igrejas do século XVI que se levantaram para dar à Igreja da Idade Média a funcionalidade da Igreja so primeiro Século. Usando a própria definição de Aurélio (Não que essa seja a mais completa), vemos que a Reforma deveria nos tornar mais fiéis á forma de nossas origens, porém, ainda continuamos caminhando sobre o legado da “forma” de pensamento grego-romano na Teologia, Filosofia, Liturgia, Economia e assim por diante, nosso fundamento apostólico ainda é Romano.

Não queremos com essa observação menosprezar esse momento da história, entendemos que a “Reforma” teve e ainda tem seu papel e sua importância, mas não suficiência. Não restringimos a reforma ao luteranismo ou movimentos isolados, também cremos que sua abrangencia vai além da questão teológica, trazendo novas diretrizes para a prática da fé cristã, porém assim como muitos reformados, cremos que esse momento histórtico representa parte de um processo contínuo que visa nos levar a originalidade.

O termo “Reforma” fala justamente de uma “Nova forma”, por isso, através do movimento reformador, procurou-se por mais fidelidade as suas origens da fé cristã, segundo a mentalidade e padrão de pensamento da sua época, lançando-nos ao desafio de continuar vivendo o processo que nos levará ao encontro de algo mais relevante que uma limitada variação dentro de uma mesma configuração.

Após a “Reforma” protestante, seguidas gerações viveram dias em que valores, princípios e fundamentos foram restaurados, e hoje mais do que nunca, mediante a gritante necessidade de genuinidade, torna-se necessário darmos continuidade a esse processo, porém para isso torna-se necessário ampliarmos nosso entendimento, procurando por algo que esteja além da implantação de novos métodos, algo que harmonize a crise das formas e nos leve de volta a essência, que significa “Buscar pela origem que constitui a natureza da existência de algo, sua substância, sua significação especial e seu espírito, ao invés de apenas sua forma de funcionamento”.

Não podemos continuar acreditando que a resposta dos nossos problemas eclesiásticos está em alguma “Forma de fazer ou viver como Igreja”. Após alguns anos de seguidas tentativas experimentando ser igreja sem prédio, igreja com prédio sem cara de igreja, igreja nas casas, nas casas e no prédio, ou seja, depois de alguns anos experimentando mudar as formas, seguindo o exemplo cíclico da história, temos entendido que “A resposta para essa crise não está na forma de se fazer igreja, pois nenhuma forma, por mais contemporânea que seja, por mais certa e exclusiva que pareça, nenhuma delas é nova, por isso, a resposta pode estar além das formas, pode estar na essência, e essa essência sempre irá falar de pessoas enquanto formas falam de estruturas”.

A partir dessa idéia de originalidade, temos procurado ampliar nossa visão, e transicionar da proposta de reforma para restauração, não no sentido de obter uma nova forma, mas sim de obter de novo a essência perdida, recuperar a idéia predominante estabelecida desde sua origem, de “Recomeçar segundo as escrituras atentando para os princípios que falam da sua identidade, propósito e destino”. Porém, para isso, teremos que “Flexibilizar conceitos pessoais e métodos exclusivos, relativos ao tempo e sujeitos a transitoriedade natural, para estar fundamentados sobre o que permanece, sobre a palavra que determina sua natureza e desenvolve sua existência”.

Ao olharmos para o Hebraico vemos a idéia de “Restaurar”, presente em várias palavras e usada centenas de vezes no sentido de “Renovar seu estado original, restituindo sua verdadeira essência, fundamentando as bases do altar antes do seu pleno funcionamento do templo”. Com base nos gráficos abaixo conseguimos extrair alguns valores dos termos hebraicos.

o Renovar seu estado original.
o Restituindo sua verdadeira essência e significado.
o Estabelecer no sentido de posição e espaço.
o Tomar o seu lugar em atitude de permanência, mantendo posição (2 Crônicas 24.13)
o Fundamentar as bases do altar(templo) antes do seu pleno funcionamento (2 Crônicas 24.7)
o Restaurar a força, prevalecer, fortificar, ser firme e resoluto, Prevalecer sobre. (2 Crônicas 34.10)
o Ser firme, estável, estar estabelecido e fixado com segurança e durabilidade. (2 Crônicas 35.20)
o Ser firmemente determinado e guiado corretamente. (2 Crônicas 35.20)
o Estar pronto, preparado e consolidado (2 Crônicas 35.20)
o Terminar, completar e ser completado (Esdras 4.12)
o Manter-se confirmado. Levantar e permanecer de pé. (Isaias 49.8)
o Retornar ou volta, converter, arrepender ou trazer ou ser trazido de volta (Isaias 58.12).


Hebreus 9.12 “Restaurar a sua condição natural e normal algo que de alguma maneira projeta-se além da sua superfície natural ou está desalinhado como, por exemplo, uma junta do corpo, quebrada ou inchada”.

Essa restauração se dá pelo ser trazido de volta através de arrependimento, de uma nova consciência e mentalidade que nos leva a uma nova posição e direção, restaurando o poder e autoridade dos santos que são a expressão da Igreja. Por isso, entendemos que a igreja não é a causa, mas o efeito, ou seja, a igreja é a expressão dos santos, que por sua vez expressam Cristo, afim de que Deus seja glorificado na terra. Seguindo a terminologia usada em Esdras, acreditamos que “Entendendo o princípio da essência, natureza e a originalidade, poderemos trabalhar sobre um fundamento que nos dará condições de finalizar”, mobilizando santos para levantar na terra e posicionar nas regiões celestiais o que em Cristo já foi estabelecido, ampliando o entendimento de igreja como também, uma realidade de conexão espiritual.

Dentro da linguagem do Novo Testamento, encontramos uma palavra que em algumas versões acabou sendo traduzida por “Reforma”, encontrada em Hebreus 9:10, num contexto que trata a metodologia cerimonial do Tabernáculo, como ordenanças da carne, baseadas em comidas, bebidas e diversos rituais de purificação, impostas até ao tempo oportuno de “Reforma”, palavra que no original grego “Diorthosis” aparece no sentido de “restaurar a sua condição natural e normal algo que de alguma maneira projeta-se além da sua superfície natural ou está desalinhado como, por exemplo, uma junta do corpo, quebrada ou inchada[1]”. Portanto, o termo não aparece no sentido de mudar as formas, mas de restaurar a condição natural e original.

Dessa forma, podemos continuar caminhando sobre o mesmo pensamento, usando como base as principais palavras usadas no Novo Testamento para “Restaurar” como por exemplo: “apokathistemi” (Oito vezes) que tem como seu principal significado restabelecer o seu estado anterior ou estar em seu estado anterior e trabalhando suas raízes pode-se chegar à idéia de estabelecer ou constituir sobre algo separado. (Referencias: Mateus 12.13 Mateus 17.11 Marcos 3.5 Marcos 8.25 Marcos 912 Lucas 6.10 Atos 1.6 Hebreus 13.19).

A partir das raízes terminológicas, chegamos a um dos textos mais significativos com relação à restauração, Atos 3.21, onde uma única vez no NT a palavra “apokatastasis”, relacionada à forma de governo em que a autoridade de Deus é exercida por seus representantes na Terra, apontando para a restauração do estado perfeito antes da queda, confirmando a idéia de restabelecer o estado anterior e original (Atos 3.21 “ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade”). Esse posicionamento não representa apenas uma questão de terminologia, mas uma direção que nos dará segurança, protegendo-nos de nós mesmos, da tentação de querer lutar por mais uma nova reforma, sem entender que a proposta para a igreja da última hora ou do terceiro dia, é voltar à essência e a originalidade, que nada mais é do que a expressão viva do próprio Cristo. Observe como é possível visualizar um processo de restauração com base no texto de Atos 3.20-21:


Além disso, gostamos do exemplo usado a respeito do ofício de um restaurador, que tem como objetivo , recuperar a originalidade do móvel danificado, ao invés de apenas reformá-lo podendo acrescentar elementos que não fazem parte de sua forma original. Acreditamos que todo elemento que adicionamos a igreja viola sua originalidade e acaba se tornando agente de crise, fatores internos responsáveis por gerar instabilidade e vulnerabilidade. Por isso, nesse sentido, estamos vivendo o tempo de “céus e terra serem abalados” de Hebreus 12.22-29. Uma palavra pontual que traça o paralelo entre o Sinai e Sião, relacionado ao desenvolvimento da Igreja.

Nesse texto somos exortados a “tomar cuidado” no sentido de discernir o que está acontecendo e não recusar Àquele que do céu nos adverte, hoje, não mais em uma perspectiva terrena e temporal, pois a partir de Sião, não estamos na “sombra”, mas diante da “imagem real”, apontando para um sacerdócio espiritual que nos coloca num novo nível de responsabilidade, por isso, nós “que temos nos desviado daquele que do céu nos adverte”, devemos “tomar cuidado”, pois o dia do Senhor visitar nossas edificações chegou e “aquele, cuja voz abalou, então, a terra; promete, dizendo: “Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu.” No Sinai a voz do Senhor abalou a terra ao ponto do povo não querer mais ouvi-lo, porém, sua voz abalará não só a terra como também os céus. Esse termo “abalar” significa o movimento produzido pelos ventos, tempestades, ondas e coisas do tipo que sacodem completamente e causam agitação até mesmo derrubando algo.

A “Voz” do Senhor está Ecoando e o que Ele está falando a igreja nesses dias trará abalos estruturais, a fim de por a prova nossas edificações e fazer com que permaneça apenas o que é eterno, aquilo que está de acordo com o original. Quando diz: “de uma vez por todas farei abalar”, esse “abalar” aparece no sentido de bater, agitar a mente dos homens, para que se prostrem em tremor e temor, falando de uma remoção completa e definitiva das coisas abaláveis.

Esse termo “remoção” vem de “metathesis” significando transferir de um lugar para outro, no sentido de trocar coisas instituídas ou estabelecidas, concordando com Hebreus 9.10. Mas afinal o que será removido? À medida que começarem a cair às chuvas, transbordarem os rios e a soprarem os ventos, tanto sobre os que edificam sobre a areia como aos que edificam sobre a rocha (Mateus 7.27), identificaremos quem verdadeiramente tem edificado sobre o firme fundamento. Portanto, a remoção das coisas abaladas fala da diferença entre o que que faz parte da edificação original daquilo que foi adicionado segundo nossa vontade, fala da diferença daquilo que foi feito no espírito de babel das que foram feitas no espírito de Betel.

A verdade é que tudo aquilo que possa ter sido adicionado por nós ou até mesmo mudado, representa tudo que é abalável, conseqüentemente tudo que será removido para que permaneça apenas o inabalável de Deus. Esse termo “inabalável” aparece no sentido de algo que não pode ser removido ou mudado, de posição permanente, que não cede com facilidade; representando ainda algo que não está sujeito a derrota nem a desordem, permanecendo sempre firme e estável. Dessa forma devemos receber o Reino como ele é, e vivermos a Igreja como ela é e não como gostaríamos que fosse. Perceba que as escrituras chamam a nossa atenção para aquilo que “não é de visível aparência”, ou seja, para aquilo que em Cristo recebemos dentro de nós, conferindo com o texto de Hebreus 12.29 que diz: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor”, confirmando a idéia de que a essência de graça, serviço, reverencia e santo temor, precedem as formas de funcionamento.

Por exemplo, diante de uma mulher preocupada em como (balde) tirar a água (poço) , e como adorar (monte), sempre buscando pela uma forma correta, Jesus a encoraja a crer, encontrar a essência, a conhecer quem está diante dela. Jesus anuncia a chegada do novo tempo em que o importante para Deus é a essência (João 4.24). Portanto, essa crise de paradigmas, esse conflito de modelos e a ausência de essência, não é algo peculiar aos nossos dias, mas algo vem se repetindo durante toda a história, dividindo gerações e afetando a expressão da igreja.

Quando falamos que a essência precede a forma, é importante entender que não estamos anulando a forma, estamos afirmando que a forma por si não é a resposta para nossas crises eclesiásticas. Entendemos que a verdadeira essência da igreja será encontrada por filhos de Deus amadurecidos o bastante para corresponderem à multiforme sabedoria de Deus manifesta através da igreja, ou seja, filhos que entenderão a igreja como a expressão dos santos, que nada mais é do que a expressão do próprio Cristo atuando em todas as esperas de influência da sociedade a partir de uma perspectiva espiritual e uma realidade de autoridade e poder que se manifestará na terra de várias maneiras diferentes, mediante a diversidade do espírito coletivo de cada jurisdição, de acordo com a dinâmica de cooperação e ajustes das suas partes.

Percebemos essa diversidade corporativa de forma prática desde em exercícios espirituais realizados em grupos pequenos, até comunidades inteiras que visitamos em cidades diferentes. Trata-se do mesmo Deus que é tudo em todos, atuando de maneira diferente à medida que vivemos a mesma essência. Através dessa percepção estaremos amadurecendo também a nossa visão de unidade, entendendo que muitas vezes tão importante quanto estar junto no mesmo lugar físico, será não atrapalhar o que Deus está fazendo na vida do outro na mesma cidade ou região. Esse entendimento pode cooperar para que continuemos preservando a unidade da fé de maneira saudável. Por exemplo: Assim como usamos a expressão “unha e carne” como um símbolo de unidade, devemos ampliar para a expressão “Boca e cotovelo”, como uma verdade sobre unidade corporativa, mesmo que estes nunca se encontrem. Eles fazem parte do mesmo corpo, e representam um simples exemplo da essência da unidade que precede a forma como viveremos.

A proposta da restauração nos coloca diante de um modelo a ser seguido, à semelhança de Moisés que foi desafiado a edificar algo para Deus segundo o modelo estabelecido por Deus (Atos 7.44 Hebreus 8.5). Isso significa que Deus trabalha com padrões, com mapas e plantas, e mesmo tratando-se de uma realidade de sombra, entendemos a metodologia do Reino, pois se a Igreja é a expressão dos santos, a família de muitos filhos semelhantes a Jesus, entendemos que esse padrão está no cabeça do corpo, no fundamento do edifício, no próprio Cristo que representa o padrão de maturidade (Perfeição) de Deus para todos os santos e conseqüentemente, a Igreja. Portanto, não devemos edificar segundo o padrão que achamos melhor, mas segundo o padrão estabelecido pelo próprio Deus.

Seguindo o decorrer da história bíblica, vemos que os métodos foram ampliados, adequados a cada realidade e segundo sua época, em terra própria ou em exílio, porém a essência permaneceu a mesma, mostrando que devemos restaurar a essência do Tabernáculo, da tenda, do templo, da casa, devemos ser a expressão de Cristo, para que possamos entender o chamado a viver uma realidade multiforme, porém, com o mesmo espírito e essência.

Fraternalmente em Cristo
Anderson Bomfim