PRIMEIRA ESCOLA INTENSIVA DE EVANGELISMO

[ sexta-feira, 25 de setembro de 2009 | 4 comentários ]


A RESPOSABILIDADE PELA PREGAÇÃO
O Fogo que consome do Chamado que nos persegue

Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada. 1 Coríntios 9.16

Paulo escrevendo a igreja em Corinto a respeito de sua motivação ministerial, diz: “pesar sobre ele uma obrigação”, Talvez estes termos “peso” e “obrigação” possam soar obrigatoriedade, mas essas expressões estão afirmando algo bem diferente. Olhando para as expressões originais encontramos significados que ampliam nosso entendimento com uma verdade capaz de incendiar nosso coração. Primeiramente, o termo “Pesa sobre mim” está relacionado a “brasas ardentes”, exemplificando alguém que deve passar rapidamente sobre algo, dando-nos a entender esse “pesar” aparece no sentido de urgência, de um “fogo que consome e nos faz correr” e não no sentido legalista religioso que nos dá a idéia de algo pesado e escravizante, fazendo que nos sintamos sempre culpados.

Já a palavra “obrigação” vem de “anagke”, a junção de uma preposição adverbial primária “ana” que significa “estar em meio ou entre duas coisas” e “agkale” , que significa “a curva ou o ângulo interno do braço inclinado”, determinado a algo que abraça ou cerca, como os braços do mar. Portanto, o termo “pesa sobre mim esta obrigação” fala de se sentir cercado, como que pelo braço de Deus, e isso ardia em caráter emergencial em seu coração. Não via saída, via-se cercado por todos os lados por um fogo que o consumia e o chamado que o perseguia.

A podemos ampliar nosso entendimento para a conseqüência de não nos rendermos a esse “chamado”. Na continuação do texto Paulo diz: “aí de mim se não pregar” e não me render a isso que me consome. Este termo “ai de mim” vem da palavra “ouai”, uma exclamação primária de tristeza, pesar e desgosto. Isso quer dizer que se ele não se rendesse a este chamado que ardia em seu coração, passaria a carregar sobre si outro peso de desgosto. Isso quer dizer que a realização de cumprir o chamado de Deus seria trocada pela frustração de não alcançá-lo. Muitos perderam o fogo, trocaram o “peso da obrigação” no sentido correto, para viver o pesar de uma religião descomprometida e estéril, desanimados pela falta de vida e significado, incrédulos pela frustração de não ver suas expectativas correspondidas..

Ele diz “se faço isso de livre vontade”, do original grego “kekon”, serei divinamente recompensado, mas na verdade, não há saída. Se não tenho vontade, sou “constrangido”, significando, contra sua vontade. Confirmando que o que está sobre sua vida está acima de sua própria vontade, é algo que está fora de seu controle. Você se sente cercado e sem saída diante desse tão grande chamamento de Deus para sua vida? Isso é importante porque fala de uma responsabilidade que constrange, algo que queima no sentido de urgência e pressa, um ofício involuntário confiado a todos nós.

Paulo fala de confiança, “pisteuo”, algo que exige fidelidade e lealdade, fala de uma “responsabilidade de despenseiros”, de homens que respondem pela administração ou supervisão de algo que lhe foi confiado. Temos sobre nós essa responsabilidade de administrar o Reino de Deus na Terra, a responsabilidade profética de preparar um caminho ao Senhor, de trazermos os desobedientes a prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado (Lucas 1.17). Isso deve estar acima de nossa própria vontade, algo que pelo qual responderemos, pois todos nós responderemos por aquilo que nos foi confiado.

Jesus restabeleceu o Reino de Deus na terra, e a administração está nas mãos da igreja, ele despojou principados e potestades e quem manifesta a multiforme sabedoria de Deus sobre eles é a igreja, o Reino de Deus está em nós, Ele nos deu autoridade para estabelecer seu governo em toda a terra. (Mateus 28.18-20), portanto, algo muito sério nos tem sido confiado como filhos de Deus em Cristo Jesus.Teremos que responder por aquilo que nos foi confiado, aquilo que recebemos e pelas posições que tomamos. A palavra sempre exige de nós uma posição e o não se posicionar já é para Deus uma posição que trará consigo as devidas conseqüências.

Jesus, aproximando-se,falou-lhes: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Mateus 28.18-20


Fraternalmente em Cristo
Anderson Bomfim

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A REALIDADE DA GRAÇA

[ sexta-feira, 18 de setembro de 2009 | 3 comentários ]

A REVELAÇÃO DAQUILO QUE NOS TEM DADO GENEROSAMENTE
Em 1 Coríntios 2.9 diz: “coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus".
Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus”.



Paulo fala de uma realidade desconhecida, da qual o homem é incapaz de alcançar por si mesmo, porém, possível de ser desvendada pelo Espírito, uma realidade onde penetrarmos no mais profundo de Deus. Mas como isso funciona? Gratuitamente? O próprio texto nos diz que só alcançaremos essas riquezas espirituais que estão escondidas na profundidade de Deus a partir do momento que rompermos com a influência do espírito do mundo, a partir de então, poderemos conhecer o que Ele já nos tem disponibilizado generosamente.

A palavra mais exata para o termo traduzido como "Gratuitamente" é “carisyenta” derivada de "charizomai" que pode ser entendida no sentido de “dar generosamente”, um entendimento mais profundo que confirma a idéia de estarmos diante do Deus que deseja mostrar-se liberalmente, a partir da nossa mínima correspondencia, por causa do seu amor, misericórdia, bondade e generosidade. "Por causa da sua Sua graça"...


Essa palavra aparece mais uma vez em Gálatas 3:18 onde diz: “Porque, se a herança provém de lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão”. É nesse mesmo pensamento que Paulo coloca a promessa de uma herança estabelecida em aliança com Abraão acima da lei, visto que a promessa veio 430 anos antes, porém, essa promessa foi dada “charizomai”, não gratuitamente, mas sim, generosamente a partir do momento que Abraão se dispôs a crer e cumprir os termos dessa aliança que hoje se cumpre espiritualmente em nós por meio de Cristo Jesus.


Não temos recebido a promessa de uma herança que é resultado da generosidade de Deus e que será alcançada a partir do momento que vivermos dentro dessa realidade de aliança e filiação sendo desenvolvidos pela obediência. (Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai. vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Gálatas 4.1-6)


A GRAÇA QUE NOS FAZ AGRADÁVEIS AO PAI
Um último texto que poderíamos ver a respeito dessa graça que nos tem um custo é Efésios 1.3-6 que diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”.


Esse texto parece ter (Principalmente na versão Revista e Atualizada), um problema sério de tradução, uma vez que Paulo fala a respeito de uma realidade de filiação em Cristo Jesus, que deve resultar em louvor no sentido de reconhecimento, proclamação da glória dessa Graça, que nos fez ser agradáveis, que nos tornou “filhos” e não uma graça que nos “deu gratuitamente no amado”. A palavra é “caritov” e aparece no sentido de “tornar gracioso e agradável”. 


Esse texto confirma o propósito eterno de Deus Pai que estabeleceu um destino de antemão, a fim de sermos estabelecidos como filhos em Cristo Jesus, e juntamente com Ele, nos tornarmos agradáveis ao Pai. Isso traz propósito e direção para essa realidade de graça que não nos foi dada gratuitamente, ou seja, sem motivo, mas para estarmos inseridos e aperfeiçoados visando o cumprimento de um Plano estabelecido antes da fundação do mundo, de ser Pai de muitos “filhos” semelhantes a Jesus.


Estamos pensando sobre essa "Graça gratuita" porque além de um problema lingüístico, encontramos uma herança cultural de "Pão e Circo" ou outras como a "Lei de Gerson" (gosta de levar vantagem em tudo), modelando pessoas desprovidas de responsabilidades, que evitam se submeter as exigências necessárias para a construção de um novo modelo cultural. 


Portanto, existe uma realidade de graça que está em Deus, e partir dela "existirmos" para sua glória, porém, nada disso é gratuito, como vimos até aqui, tudo partiu de um pagamento, identificação, e é ativado pela fé.

E para encerrar quero te lembrar do recenseamento Davi que trouxe a conseqüência de setenta mil homens mortos. Diante disso, Davi foi até a eira de Orna para construir um altar, que traria novamente favor sobre sua vida e o povo, porém, Davi diz algo importante, “dá-me pelo seu devido valor”, ele reconhecia sua condição e a necessidade desse favor, e mesmo diante da possibilidade de usar o campo gratuitamente entendeu que não poderia receber um favor sem que lhe custasse algo. Não se trata de merecimento, mas de reconhecer sua importância e significado.Não podemos mais negligenciar tão grande Salvação.


Acredito que passaremos a valorizar essa realidade de Graça quando começarmos reconhecer o preço que Cristo pagou por ela. (1 Crônicas 21:24) . Tudo que tem valor tem seu significado e sentido dentro do propósito de Deus para nossas vidas. Quando deixarmos que essa verdade transforme nossa mente, poderemos experimentar mudar nossa maneira de ver e viver dentro do Reino.

Ouça PODCAST sobre "Uma Graça não Gratuita - PARTE V"
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A REALIDADE DA RAÇA - Parte 1

[ terça-feira, 15 de setembro de 2009 | 1 comentários ]

INTRODUÇÃO
Durante muitos anos fui ensinado a respeito de uma graça gratuita, palavra essa, que acredito ter passado a nos influenciar negativamente na maneira de entendermos e vivermos a Graça e tão grande salvação de Deus em Cristo Jesus. Graça que passou a ser entendida como um caminho de benefícios unilaterais, onde apenas aquele que recebe passa ser beneficiado. Proposta que tem alimentado motivações egoístas, e fortalecido vaidade, limitando-se a uma vida religiosa sem responsabilidade e relevância.

Devemos seguir alguns de seus conselhos e um deles é “esquadrinhe” as escrituras. Mas o que isso significa? Simplesmente examinar algo minuciosamente, procurar detalhadamente a fim de encontrar a verdade e sermos libertos por ela. Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8.31-32). A medida que permanecemos na verdade relativa ao tempo presente (Permanecer) experimentamos a liberdade de espírito e de mente para crescer à estatura do nosso mestre, por isso, esses serão verdadeiramente seus discípulos.

1 Coríntios 15.9-11 Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. Portanto, seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes.

Uma verdadeira compreensão dessa Graça será determinante para nosso crescimento e com base no texto de 1 Coríntios 15.9-11, observamos que Paulo a entendia, pois mesmo podendo se sentir o menor de todos os homens, sabia quem era por causa da Graça de Deus em sua vida e entendia que essa Graça não poderia se tornar vã, inútil ou improdutiva. (A palavra para Graça aqui é “charis” que aparece no NT 155 vezes sendo usada por Paulo 100 vezes). Por isso, trabalhava muito mais do que todos, porém, o que operava nele era a Graça de Deus. Trata-se de um bom exemplo da Graça que traz identidade e atitude. Quando entendo a Graça sei quem sou nele, sei o que posso fazer nela, entendo que tudo que sou deve manifestar esse favor de Deus para comigo.



A graça é uma realidade espiritual, uma condição onde experimentamos o governo de Deus e seu poder exercendo total influência sobre nossas vidas integralmente, uma realidade onde somos guardados, fortalecidos e crescemos na fé verdadeira, no conhecimento de Deus, no amor e no exercício das virtudes e poder desse Reino. Trata-se de uma realidade específica que testemunha da vida dentro do Reino. 

A GRAÇA E O PREÇO DA IDENTIFICAÇÃO
A graça no original hebraico vem de “hen” e “hanan” no sentido de gracioso aparecendo pela primeira vez em Gênesis 6.8 quando “Noé achou graça diante do Senhor”, mas o primeiro texto para analisarmos poderia ser Romanos 3.19 à 24 que diz “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”.


Estamos falando de uma realidade em que todo o mundo é condenável diante de Deus, onde todo homem a partir do pecado deixou de ter parte, falhou em tornar-se participante de sua Glória. Nessa condição de “bocas fechadas”, de homens sem direito de reclamar sua inocência, se manifestou a justiça de Deus em Cristo Jesus, para justificar a todos que crêem.

Trata-se de um favor não merecido que nos promove a uma realidade e condição espiritual de alguém governado pelo poder divino, exercendo total influência sobre sua vida. Precisamos entender que a idéia de “gratuitamente” não necessariamente representa algo que não nos custe nada, mas sim algo imerecido, inalcançável por mérito próprio.


O ato de justificar é resultado de alguém que se apresenta em defesa ou em favor de outro, a questão é que nesse caso, nenhum homem era inocente, nenhum deles poderia ser inocentado e liberto por argumentação em seu favor, só havia uma maneira de trazer justificação, alguém sendo punido no lugar deles, a questão é que Jesus cumpriu a punição de toda transgressão, e apenas por essa identificação com o “punido” o homem pode se tornar aceitável e livre diante de Deus.


Trata-se de uma questão de pagamento, com moeda espiritual que é sangue (Apocalipse 5.9), e essa identificação não é passiva e gratuita, ela tem um preço muito alto, um preço de morte. 
Apocalipse 5:9 "E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação". Outro texto que aparece o termo “dom gratuito” é Romanos 5. 12 que começa dizendo: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”. Paulo argumenta que antes da lei existir o pecado já estava no mundo e através do pecado a morte passou a dominar todos o seres humanos, então, Romanos 5.15 diz que há uma diferença entre o pecado de Adão e o dom “charisma” de Deus que ativa em nós uma realidade de graça “charis”.


De fato, muitos morreram por causa do pecado de um só homem; mas a graça de Deus é muito maior e através desse “dom charisma” somos elevados a uma condição espiritual muito mais elevada. Esse dom “charisma” nesse texto tem sido traduzido como “dom gratuito”, mas significa na verdade o poder que ativa a graça divina, pela qual o perdão do pecados e salvação eterna é apontada em consideração aos méritos de Cristo conquistados pela fé.

Esse termo “dom gratuito” é mais do que um presente, é o poder de Deus ativando uma realidade onde somos perdoados e salvos pelos méritos de Cristo, reposicionados e habilitados para cumprir seu propósito, porém, uma realidade condicionada a uma identificação espiritual com Ele pela fé.

Romanos 5:15 - 16 Mas não é assim o dom gratuito (charisma) como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um, morreram muitos, muito mais a graça (cariv) de Deus e o dom (dorea) pela graça (cariti), que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom (dorema) como a ofensa, por um só que pecou; porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito (charisma) veio de muitas ofensas para justificação.Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça (caritov) e do dom (dwreav) da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

Um dos textos mais conhecidos a respeito desse “dom gratuito” (charisma), que não necessariamente signifique algo gratuito, é Romanos 6.23 que diz: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”. Um texto muito usado para dizer às pessoas que elas não precisam fazer nada para serem salvas, para apresentar um presente “grátis” de Deus, porém, esse texto está falando de uma negociação, de um pagamento.

Assim como o pecado requer a morte, o “dom charisma” de Deus promove uma realidade de vida eterna, ou seja, assim como para o pecado vem a morte, para esse poder de Deus “charisma” vem a vida eterna, e para alcançar esse favor imerecido, sem mérito próprio, tenho que experimentar essa realidade de pagamento identificando-me com Cristo. Precisamos entender que esse “charisma” fala de uma realidade que tem um preço de identificação com sua morte, para que possamos ser justificados Nele.

A graça é um favor imerecido que tem um preço de identificação, uma realidade de justiça que vem pela fé. Efésios 2.8 diz que estamos salvos dentro dessa graça alcançada pela fé, que não “vem de” nós, essa expressão “vem de” é uma preposição primária “ek” denotando origem ou o ponto de onde ação ou movimento procede, dando a entender que o que ativa essa realidade de graça não vem de dentro de nós, mas de dentro de Deus, é um “dom de Deus”, a palavra para “dom” aqui é dwron “doron” e pode referir-se a um presente no sentido de algo destituído da idéia de recompensa por obras ineficazes e incapazes de ativar essa realidade.

“Fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos em novidade de vida. Porque, se fomos unidos (sumphutos) com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos, porquanto quem morreu está justificado do pecado.

Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.” Romanos 6.4-6 Como podemos entender mais sobre esse preço de identificação? A verdade é que não se alcança a realidade da ressurreição e graça se não se alcança a realidade da crucificação (Romanos 6.5-14). Quando somos “Unidos a Ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição (Romanos 6.5).”

E esse princípio de identificação funciona quando somos “unidos a Ele”, expressão que aponta para “sunphutos”, uma junção da raiz “sun” de “com”, e a palavra “phuo” de ser nascido juntamente com, portanto, identificação fala de sermos um com Ele, à semelhança espiritual de sua morte, para sermos um com Ele espiritualmente em sua vida. Para que vivamos unidos com Ele, dentro dessa realidade de graça, devemos ser crucificados com Ele de maneira que nosso velho homem e o corpo de pecado seja destruído (Romanos 6.6), ou seja, deve se tornar inativo e inoperante, privado de força, poder e influência para que vivemos a realidade do homem recriado.


É uma realidade alcançada pela fé, não passiva, mas operante que ativa uma nova realidade de vida a partir da morte. “Se morremos com Cristo com Ele viveremos!” (Romanos 6.8). Por sua morte e condenação somos justificados e libertos do pecado, o pagamento de morte foi efetuado, (Romanos 6.7), por isso, precisamos decidir morrer de uma vez por todas e da mesma forma vivermos sua vida “zoe”para Sempre! (Romanos 6.10).

A igreja do primeiro século vivia a “Realidade da ressurreição de Cristo” (Apocalipse 1.18 Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.) A partir das evidências incontestáveis e da identificação pela fé com sua morte, viviam como testemunhas dessa ressurreição (Romanos 6.5 7.6), que Foi e É, a suprema e majestosa verdade do evangelho, o cumprimento da lei e dos Profetas (Lucas 24.44-46) a mensagem dos verdadeiros discípulos de Cristo (Atos 17.3), o fundamento do testemunho apostólico, a certeza do Juízo Final, a esperança dos justos para o presente, o futuro e a eternidade. Essa deve ser a nossa pregação em todo tempo e lugar (1 Coríntios 15.14), representando mais que um entendimento doutrinário, mas viver em novidade de vida, como pessoal nascidas do alto, a realidade de um cristianismo vivo e vitorioso. A forma como vivemos, testifica o Cristo que conhecemos.