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:: FERIDAS ANTIGAS QUE MATAM O NOVO ::

terça-feira, 11 de maio de 2010 1 comentários



O mundo em que vivemos tenta nos convencer do real significado e importância da religião. Religar-nos a Deus? Será mesmo que podemos, levando nossos conteúdos de complexos, traumas, vivências e conseqüentes feridas, sermos religados àquele que é santo, puro e perfeito?
 
Jesus já nos deu a resposta para este tipo de questionamento, quando diz que ninguém consegue colocar remendo de pano novo em roupa velha, porque este remendo romperá a roupa aumentando ainda mais a rotura. Em sua infinita sabedoria ainda completa que tampouco é possível colocar vinho novo em odres velhos, pois o odre se rompe. Até aqui, não há nenhuma revelação ou nada de novo para nossos ouvidos. Todos nós passamos por isso, temos cargas conscientes e inconscientes acumuladas com o tempo e com as vivencias. Mas há algo de grave e perigoso no mundo das ofertas de um evangelho fácil.

Ao refletir sobre isto, complementaria a frase tão dita em momentos evangelísticos: “ ...venha como está....”, para "...venha como está, porém não permaneça nesta condição, senão verá um Deus que não transforma”. Não podemos resumir os ensinamentos e princípios de Deus á um pó de “pirlimpimpim” que com apenas uma mão levantada, uma oração de “...escreve meu nome no Livro da Vida” , todos os problemas de paternidade, ansiedade, angustia com fatos do passado serão instantaneamente resolvidos. A verdade é que para sairmos de uma condição na qual acontecimentos registrados no passado nos colocaram, e assumirmos uma nova posição na qual Deus deseja que estejamos, precisamos entender alguns passos para que a cura da alma seja conquistada, e isto depende de um processo, doloroso sim, porém bem sucedido certamente. Mas que processo é este? Quais as etapas a serem vencidas?

Dentro de sua dinâmica de mestre, Jesus torna factível o que falou sobre vinho novo em odres velhos, trazendo clareza sobre um princípio que hoje é deixado de lado. Somos parte de uma sociedade doente e afetada com cargas emocionais capazes de influenciar e muitas vezes até mesmo destruir o futuro do indivíduo, tornando-o escravo de comportamentos que se dão à mercê das feridas adquiridas e não tratadas.Jesus exemplifica o que falou com o que se dá em seguida nas colocações de Mateus 9: um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, chega até Jesus e pede que cure sua filha que está em leito de morte. No caminho, rumo a casa onde estava a menina, em meio à multidão, uma mulher que há 12 anos sofria com um fluxo de sangue, tocou suas vestes e foi curada.

Vamos avaliar a situação da mulher: considerando que as mulheres têm a sua primeira menstruação aos 14 anos aproximadamente e há 12 ela sofria com o fluxo contínuo, podemos dizer que ela tinha, pelo menos 26 anos. No entanto, o mesmo relato no livro de Marcos, traz que esta mulher havia gastado tudo o que tinha buscando a cura. Considerando que para que pudesse gastar o que tinha, precisava ter atingido à sua maioridade, ou seja, estamos falando de uma mulher madura de uns 35 anos.

Entendo que houve uma exposição por parte dela, uma vez que a multidão se acotovelava para seguir Jesus e ela conseguiu tocá-lo. Imagino que pode ter se atirado ao chão sem se importar com a sua reputação, pois a fé a impelia a fazer isto, porque cria na capacidade do poder que havia em Jesus. O fato do percurso em direção à cura da menina ter sido interrompido por este milagre, não significa que algo foi atrasado, ao contrário, mesmo que enquanto caminhavam, chegaram alguns homens da sinagoga, e disseram que a filha estava morta e que não precisaria mais incomodar o Mestre. Quando chegaram à casa de Jairo, Jesus passa pelas pessoas dali, desesperadas com a morte da menina e vai até o quarto. Chegando lá apenas diz aos familiares que não há motivo para o desespero, pois a menina não estava morta, apenas dormia e logo determinou que ela levantasse e que dessem comida a ela.

Notem que para que Deus colocasse o “novo” em pé, foi necessário no decorrer do percurso que curasse o que há algum tempo estava doente. Não podemos pular as etapas que temos que vencer para alcançar o novo tempo que Deus tem proposto para nossa nova posição de filhos. Mesmo que tenhamos que nos expor, precisamos entender que não será apenas recebendo o Espírito Santo que seremos restaurados. Mas alcançaremos a restauração através de um entendimento de quem realmente somos e como estamos, reconhecendo nossas reais feridas e o quanto somos afetados com fatos do passado. Abrirmos-nos para que isso tudo seja mexido, exposto e então zerado, para começarmos algo realmente novo.

Em anos de vida cristã conheci muitos homens e mulheres de Deus que se moviam achando graça aos olhos do Pai, porém suas vidas e relacionamentos eram afetados em algum momento pelas marcas mal tratadas do passado. Entendo que até mesmo o mover de Deus através da vida dessas pessoas tornava-se limitado, pois não concluíram todo o percurso e não tiveram o novo levantado a partir da cura do antigo para assumir a nova posição. Marcos nos conta que a filha de Jairo tinha 12 anos, exatamente o mesmo tempo que a mulher sofria com o fluxo de sangue. Entendo que somos assim, permanecemos sofrendo com algo que suga nossas forças e que não nos permite gerar nada, por muito tempo e Deus quer levantar algo novo em nossas vidas, mas de tanto tentarmos sozinhos, corremos o risco de deixar morrer este novo tempo que ele tem proposto.

Certamente você está se perguntado: “ok, entendo isto, mas quais as etapas que preciso vencer para alcançar a restauração e cura da alma?”. O próprio Mestre continua o capítulo nos dando as dicas para este sucesso pessoal. Assim que Jesus pôs de pé a filha de Jairo, partiu dali e dois cegos chegaram até ele dizendo “Tem compaixão de nós, filho de Davi...” e Jesus perguntou se criam que Ele poderia fazer isso. Após a resposta positiva Ele toca seus olhos dizendo: “Seja-vos feito segundo a vossa fé”. E os olhos se abriram.

A primeira etapa no processo de cura da alma é o reconhecimento de que temos feridas que nos afetam. Como se dá o processo de reconhecimento? Abrindo nossos olhos. Precisamos ser curados de toda cegueira inconsciente que faz-nos achar que somos lindos, polidos e já restaurados, quando na verdade não passamos de sepulcros caiados, podres por dentro, com impulsos instintivos sedentos por situações em que entrarão em ebulição e teremos uma explosão de sentimentos, palavras, agressões e...Olha elas aí novamente... mais feridas.

Um ponto importante a ser considerado é que, por mais auto-suficientes que possamos ser a decisão de abrirmos nossos olhos não partirá de nós. Caso fosse assim veríamos apenas o que fosse conveniente. Jesus pergunta se os cegos realmente criam que ele poderia curá-los. Esta é mais ou menos a pergunta que Deus nos faz: “querem mesmo ver o que há dentro de vocês? Sua fé crê mesmo que posso fazer isso?”. A partir daí sim, estamos prontos para alcançar a próxima fase do processo de cura: a exposição da dor!

Após ter curado os dois cegos, trouxeram até Jesus um homem mudo que estava endemoninhado. Ele expulsou o demônio e o mudo falou. Assim que conseguirmos enxergar dentro de nós mesmos, precisamos confessar toda a dor, colocar pra fora aquilo que há tanto tempo doía, porém não sentíamos, ou pelo menos achávamos que não. Esse falar funciona dentro de qualquer processo terapêutico como um movimento de se livrar do peso que vimos carregando, e olha nosso Mestre, muito antes de Freud, nos ensinando isto quando diz um pouco mais adiante em Mateus 11: 28-30 para virem até Ele aqueles que estão cansados e oprimidos para que pudessem ser aliviados. Ninguém vai até alguém simplesmente para ficar em silêncio, ninguém vai a um rei somente para estar em sua presença... Se você pudesse estar diante de Deus agora, ficaria mesmo em silêncio? Com isto, Jesus queria que trocássemos o fardo e o jugo que levamos a partir de um momento de confissão. Você pode fazer isso diretamente com Deus ou, caso entenda que Ele coloca alguém no seu caminho para que seja auxiliado nesse movimento de falar, que assim seja... Não importa a maneira, simplesmente faça, simplesmente fale.

Agora sim, você viu o que havia dentro de si mesmo, expôs toda a dor e trocou com Deus o fardo que levava... E então é só isso? Certamente que não, como eu disse isto é um processo, você levou anos acumulando informações e feridas, não será em apenas um dia que tudo a ser tratado virá à sua memória. Tampouco você ficará tão receptivo a algumas mudanças propostas pelo Senhor. Além do mais, em todo tratamento terapêutico, não é apenas o paciente que se beneficia com a cura, a sociedade como um todo é beneficiada com a restauração do indivíduo.

Você pode pensar: no que sou tão importante assim, capaz de mudar uma sociedade? Se você está pensando isso, tenho duas coisas para te dizer: primeiro que você precisa começar com urgência a tratar suas feridas e certamente terá esta baixa estima influenciada. Em segundo lugar, quero que você pense em seus familiares, em seus colegas de trabalho, vizinhos, queridos que congregam contigo, até mesmo naquela moça da padaria da esquina que esperou um sorriso seu, mas a única coisa que teve foi um olhar de reprovação porque o pão não estava quente. E agora? Ainda assim acha que a sociedade não será beneficiada com sua restauração?

Juntamente com este entendimento da importância de sermos quem Deus deseja que sejamos dentro de uma cidade/nação, precisamos entender quem são as pessoas que precisamos liberar para que também sejam curadas a partir do que começou em nós. Por mais que pareça algo um pouco “holywoodiano”, existem pessoas que passaram pela nossa vida e em algum momento foram afetadas pelo nosso comportamento reativo e passam a vida desorientadas e inconscientemente aguardando que algo aconteça para ressignificar sua existência. Seja este agente. Permita ser usado!

Este processo não será nada fácil, mas Deus não disse que seria. Ele tem algo novo para levantar em sua vida, mas o velho precisa ser curado, caso contrário, continuaremos cegos e mudos, iludidos com uma saúde mental e emocional que não temos e conseqüentemente vivenciaremos relacionamentos cindidos e experimentaremos um contato superficial com Deus.

Andrea Bomfim
Missão Mobilização

1 comment »

  • milene said:  

    Estava precisando destas palavras.
    Agradeço a Deus por ter usado-a para escrever .
    Abraços
    Mila( salvador - Bahia)